Guerra na Ucrânia: entenda por que ela vai encarecer até o seu sanduíche

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O impacto mais relevante do envio de tropas russas para as regiões separatistas da Ucrânia, anunciado por Vladimir Putin na segunda-feira (21), é o aumento de preços dos combustíveis e dos alimentos (Crédito: Pixabay)

A comida vai ficar mais cara. Esse é o impacto mais relevante do envio de tropas russas para as regiões separatistas da Ucrânia de Donetsk e Luhansk. Na segunda-feira (21) o presidente russo Vladimir Putin fez um longo discurso televisionado em que justificou a movimentação militar.

Putin afirmou que a Ucrânia e a Rússia eram próximas tanto em termos geográficos quanto históricos. Foi o suficiente para deixar claro que, apesar de todos os esforços diplomáticos, a Rússia vai seguir o caminho da força. Se isso parece uma história distante, literalmente do outro lado do mundo, as consequências serão sentidas rapidamente, no Brasil inclusive.



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O impacto mais imediato ocorreu nos preços do petróleo. A Rússia é um grande fornecedor de energia para a Europa. Sem rios de grande porte nem espaço para ter usinas hidrelétricas, países como a Alemanha e outros dependem dos gás russo para gerar eletricidade em usinas termelétricas.

Não há um fornecedor alternativo. Sem o gás russo, a economia alemã desaba pela falta de eletricidade. Os alemães sabem disso, e os russos sabem que os alemães sabem. Daí a postura mais conciliadora do chanceler alemão Olaf Scholz, que quer evitar a todo custo uma interrupção no fornecimento.

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Como não poderia deixar de ser, os preços do petróleo dispararam com a notícia. Os contratos futuros para abril do barril de petróleo do tipo Brent subiram 3,6% para US$ 98,83. É o nível mais alto desde os US$ 114 de maio de 2014, coincidentemente a data da invasão russa à Crimeia.

Porém, o efeito das sanções ocidentais sobre a Rússia vai muito além do petróleo. A Ucrânia e a Rússia são grandes produtores e exportadores de alimentos. Combinados, os dois países representam cerca de 29% do comércio mundial de trigo. A Ucrânia é um dos maiores exportadores mundiais de grãos e óleos vegetais e um importante exportador de milho.


Os preços já refletem o temor do mercado de uma interrupção na produção. O bushel (medida de peso usada nos Estados Unidos e que equivale a 27,2 quilos) do trigo subiu 2,7% e as cotações do milho avançaram 2,37%.

Há outras implicações. A Rússia é um grande exportador mundial de fertilizantes, e eventuais sanções econômicas de outros países podem reduzir o fornecimento. Com isso, a produtividade agrícola vai piorar, com pressão adicional sobre os custos.

Na avaliação do economista-chefe da plataforma global de negociação de commodities StoneX, Arlan Suderman, o mercado de commodities se aproxima de uma tempestade perfeita. Além dos problemas na Rússia, a seca na América do Sul reduziu a produção de grãos, exercendo uma pressão de alta adicional sobre os preços. Isso vai elevar também as cotações da soja, cujos subprodutos – óleo e lecitina – são empregados na produção de quase todos os alimentos industrializados.

Por isso, a marcha das tropas terá impactos muito mais amplos. A elevação dos preços da comida e da energia terá uma forte pressão inflacionária global, que deverá sustentar uma alta das taxas de juros mais intensa e mais precoce do que se esperava.



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