Guarda-roupa responsável

Uma mudança cultural profunda provocada pela pressão da sociedade está mudando os ritos da indústria da moda. Queiram as grandes marcas ou não, o antigo hábito de nunca se repetir os modelos e substituir todo o guarda-roupa a cada troca de estação está caindo em desuso. Aspectos econômicos e a busca por um planeta mais saudável são as principais causas. Após estudo feito nos Estados Unidos com mais de 3,5 mil consumidoras, a consultoria ThredUp projeta que o mercado de roupa usadas vá pular do faturamento global de US$ 28 bilhões em 2019 para US$ 80 bilhões em dez anos. A estimativa tem como base o aumento de mulheres que declararam disposição em iniciar ou aumentar o consumo de roupas de segunda mão. Em apenas dois anos o grupo saltou de 52% para os atuais 70%. Com o aumento da demanda, duas em cada três mulheres afirmaram que começam a pensar em vender itens de seu armário. Apesar de a transformação da mentalidade estar em curso, ainda há muito a ser feito dentro dessa indústria que é considerada uma das mais poluidoras do mundo. Para se produzir uma camiseta, por exemplo, são gastos 264 litros de água, segundo a consultoria. O problema, porém, não está somente nas fábricas. Cerca de 70% das entrevistadas afirmaram que compram ou que já compraram roupas para um único uso. O resultado é catastrófico para o planeta já que uma em cada duas delas declarou jogar o que não quer mais no lixo. Em outras palavras, 35% das 32 bilhões de peças de vestuário produzidas anualmente vão parar diretamente em aterros sanitários.

 

Evandro Rodrigues

Evandro Rodrigues

 

(Nota publicada na edição 1187 da Revista Dinheiro)

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