Edição nº 1088 21.09 Ver ediçõs anteriores

Grupos Volkswagen, Toyota e Renault-Nissan dão um banho na concorrência

Montadoras europeias e japonesas brilham, enquanto as americanas e coreanas perdem mercado em 2017

Grupos Volkswagen, Toyota e Renault-Nissan dão um banho na concorrência

Maruti Wagon R: um dos carros mais vendidos da Índia, um mercado fundamental para a ótima posição da Suzuki Motor Company no ranking global

“A união faz a força” é um lema tão antigo quanto o homo sapiens, mas serve perfeitamente para explicar o que aconteceu na indústria automobilística mundial em 2017. Isso é o que podemos deduzir do ranking que a consultoria Focus2Move acaba de divulgar. Rápida na atualização de seu Global Auto Database, a empresa mostra quais foram os grupos de fabricantes que brilharam (e os que caíram) na temporada passada. Os grupos Volkswagen, Toyota e Renault-Nissan deram um banho na concorrência: juntos, somaram mais de 30 milhões de automóveis de passeio e comerciais leves vendidos.

O Volkswagen Group foi novamente o campeão entre os fabricantes, com 10,4 milhões de vendas e crescimento de 3,9% em relação a 2016. Sua já tradicional rival global, a Toyota Motor Company, ficou em segundo lugar, com 10,1 milhões de vendas e crescimento de 1,7%. Mas a grande novidade foi o forte crescimento da Aliança Renault-Nissan (6,3%), que também ficou na casa de 10,1 milhões e perdeu por apenas 46 mil carros para a Toyota. Num mercado global, esse número é irrisório.

Mas, por que a união faz a força nesse caso? Porque somente nesse pódio de mais de 30 milhões de carros temos dois exemplos disso. O primeiro vem do próprio Grupo Volkswagen, que reúne marcas como Audi, Porsche, Seat, Lamborghini, Bugatti, Bentley, Skoda e Rolls-Royce, além da própria Volks. Sozinha, a Volkswagen ainda não conseguiu superar a Toyota no ranking global de marcas. O segundo exemplo está na Renault-Nissan. Com a entrada da Mitsubishi, a Aliança cresceu e já disputa a liderança global. Além das japonesas Mitsubishi, Infiniti e Datsun, ela conta também com a romena Dacia e com a russa Lada. Confira os números do ranking abaixo.

POS. GRUPO VENDAS VAR. PRINCIPAIS MARCAS
1 Volkswagen Group 10.413.355 3,9% VW, Audi, Porsche, Seat, Lamborghini, Bentley, Bugatti
2 Toyota M. C. 10.163.491 1,7% Toyota, Lexus
3 Renault Nissan Alliance 10.117.402 6,3% Renault, Nissan, Mitsubishi, Dacia, Lada, Infiniti
4 Hyundai Kia 7.280.054 -8,3% Hyundai, Kia
5 General Motors 6.875.098 0,5% Chevrolet, Buick, Cadillac, GMC, Holden, Wulling
6 Ford M. C. 6.254.133 -1,4% Ford, Lincoln, Changan
7 Honda M. C. 5.359.185 8,3% Honda, Acura
8 Fiat Chysler Automobiles 4.863.291 1,8% Fiat, Jeep, Alfa Romeo, Dodge, Chrysler, Lancia, Maserati
9 PSA Groupe 4.161.389 -2,7% Peugeot, Citroën, Opel, Vauxhall, DS, Dongfeng
10 Suzuki M. C. 3.148.930 11,0% Suzuki, Maruti

Mais uniões e desuniões

Uma análise do quadro acima – que traz o ranking e a composição de cada grupo – revela que os grupos japoneses foram os grandes destaques da temporada passada, ao lado dos europeus. Já há algum tempo venho dizendo que os carros japoneses voltaram a brilhar, pois são confiáveis, fáceis de dirigir, inovadores sem chocar o consumidor, bonitos sem exagerar no design, rápidos e ecológicos.

A soma de vários automóveis com essas características resultou na presença da Toyota, Nissan, Mitsubishi, Lexus, Datsun, Infiniti, Honda, Acura e Suzuki nas 10 primeiras posições, com seus respectivos grupos. Das marcas famosas, só a Subaru e a Daihatsu ficaram de fora. Também foi da Suzuki e da Honda os maiores crescimentos no ano passado: 11,0% e 8,3%, respectivamente.

Por outro lado, a dupla coreana Hyundai-Kia desabou os mesmos 8,3% que a Honda subiu. A Samsung Cars, uma empresa coreana, faz parte da Aliança Renault-Nissan. Da mesma forma, as estadunidenses GM e Ford perderam participação. A GM livrou-se do peso das marcas europeias Opel e Vauxhall e ainda conseguiu crescer 0,5%, mas agora ocupa apenas o quinto lugar no ranking, com vendas abaixo de 7 milhões. Logo em seguida aparece a Ford, que caiu 1,4% e também está na casa dos 6 milhões de carros vendidos. Os dois grupos dos EUA possuem parceiros na China, o maior mercado do mundo: Wulling para a GM e Changan para a Ford.

No sétimo lugar, o grupo ítalo-americano FCA só ocupa essa posição de destaque por causa da força das marcas Fiat (na Itália e no Brasil), Lancia (na Itália) e Jeep (global). A FCA (Fiat Chrysler Automobiles) cresceu 1,8% e se aproximou da casa dos 5 milhões de carros/ano, mas analistas consideram que uma união com um grupo chinês ou até com a Hyundai-Kia seria fundamental para se fortalecer financeiramente. De qualquer forma, marcas como Alfa Romeo e Maserati têm grande potencial para fazer a FCA crescer globalmente.

Curiosamente, o PSA Groupe, que reúne as francesas Peugeot, Citroën e DS, acabou recuando 2,7% nas vendas, apesar de ter adquirido da GM as marcas Opel e Vauxhall. Apoiado na administração da chinesa Dongfeng, o PSA Groupe tem focado nos resultados financeiros, que ficaram mais factíveis porque a aquisição da Opel/Vauxhall aumentou sua importância perante os fornecedores. Como se sabe, nesse mercado, cada dólar, euro, iene ou yuan economizado na compra de peças é fundamental.

Finalmente, na décima posição, temos a surpreendente Suzuki Motor Corporation. Outro exemplo de que a união faz a força. Em janeiro de 2017, a Suzuki adquiriu 51% das ações da Maruti Udyog Limited, uma montadora que há seis anos passou da marca de 10 milhões de veículos vendidos na Índia. Atualmente, a Suzuki possui 56,2% das cotas da Maruti. Alguma dúvida de que a união faz a força?


Mais posts

Onix e Compass já têm mais vendas diretas do que as picapes

As vendas de automóveis no Brasil estão mudando com uma velocidade sem precedentes. Não apenas os tipos de carros são outros, mas [...]

FCA lançará três crossovers Fiat, um novo SUV da Jeep e a picape RAM no Brasil

Presidente da Fiat Chrysler Automobiles fala sobre os investimentos da empresa no País até 2022. Globalmente, a FCA investirá 45 [...]

Yaris chega competitivo e completa a estratégia da Toyota

O novo compacto premium da marca japonesa começa a ser produzido em Sorocaba e fica posicionado entre o Etios e o Corolla

Gol desaba na Argentina, mas Volkswagen ainda é líder

Crise econômica no governo Macri afeta as vendas do carro mais vendido do nosso vizinho sul-americano

Quando o carro mata, a culpa pode ser nossa

Nem sempre o veículo, a estrada ou a sinalização das ruas são os responsáveis pelos acidentes. Veja o que você pode fazer para dirigir [...]
Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.