Em falência desde 2018, o grupo Schahin agora contabiliza mais um escândalo financeiro em sua lista de polêmicas, após a revelação de documentos que indicaram lavagem de dinheiro envolvendo subsidiárias do grupo fora do Brasil.

Essas informações fazem parte do vazamento de relatórios do Financial Crimes Enforcement Network (FinCEN) – o equivalente ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos –, descobertos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).

Foram mais de 88 países envolvidos nos relatórios que apontaram fraudes financeiras trilionárias envolvendo grandes bancos e já estão causando tremores nos mercados externos nesta segunda-feira (21).

Segundo reportagem da revista Época, o FinCEN identificou movimentações suspeitas envolvendo o falido império Schahin: em novembro de 2014, a South Empire International, subsidiária do grupo em Delaware (EUA), transferiu de sua conta no Deutsche Bank US$ 6,2 milhões para uma conta no JPMorgan Chase, em Nova York. A empresa destinatária foi a Ribas do Rio Pardo S.A., amigo pessoal do controlador do Schahin e advogado do banco, Amaral Gurgel.

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Mais três depósitos foram feitos entre as mesmas contas nas semanas que seguiram. Um de US$ 2,5 milhões em 2 de dezembro; outro de US$ 10 milhões no dia 17 daquele mês e outro de US$ 11,15 milhões em 20 de janeiro de 2015, totalizando US$ 29,9 milhões.

Essas transações foram consideradas suspeitas por não representarem propósito comercial e o FinCEN identificou que a South Empire International foi usada como passagem de dinheiro vindo de outras empresas, segundo a Época. À revista, Gurgel disse que os valores foram pagamentos de honorários por serviços prestados ao grupo Schahin e retorno de investimentos feitos no grupo no início dos anos 2000.

Ainda neste cenário, uma investigação, agora da KPMG (administradora da massa falida do Schahin), apontou desvios milionários de patrimônio do clã Schahin por meio de offshores em paraísos fiscais e empresas de fachada, como a Ribas do Rio Pardo. Os quatro depósitos milionários eram parte de propina feito por uma subsidiária da Petrobras na Holanda, com a compra de um navio-sonda da estatal, o Vitória 10.000.

O dinheiro, supostamente ilegal, foi internalizado no Brasil por meio de cinco contratos de câmbio, para a Companhia Brasileira de Agroindústria (CBA) no valor de US$ 30,9 milhões. A CBA pertence à Ribas do Rio Pardo e o dinheiro foi utilizado na compra de um edifício do próprio grupo Schahin na Vila Mariana, em São Paulo, por R$ 75 milhões.

A KPMG acredita que a venda do imóvel para a empresa de Amaral Gurgel foi feita para ocultar patrimônio e evitar perda do bem para os credores do grupo Schahin. Na prática, isso fez com que o dinheiro dos Schahin saísse do exterior para retornar ao clã no Brasil.

Três meses após o último depósito bancário, o grupo Schahin entrou com pedido de recuperação judicial em São Paulo, homologado no ano seguinte. Como o grupo não conseguiu manter o acordo de pagamentos com os credores, a justiça decretou sua falência em 2018, enterrando o que um dia reuniu 36 empresas e mais de 10 mil funcionários.

Atualmente a dívida do grupo é de R$ 10 bilhões, segundo a KPMG, que administra a massa falida dos Schahin.