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Greve de servidores do Banco Central atrasa implementação do real digital

Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino

Sede do Banco Central em Brasília (Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) – A greve dos servidores do Banco Central provocou atraso no cronograma de implementação da moeda digital brasileira, atualmente em fase de elaboração pela autoridade monetária.



Divulgado nesta terça-feira pela Associação Nacional dos Analistas do Banco Central do Brasil (ANBCB), o atraso no projeto foi citado pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante evento na segunda-feira.

“A gente tem vários projetos já sendo amalgamados num processo de projeto piloto que deveria começar no quarto trimestre de 2022. Agora, com o evento da greve, a gente teve um pequeno adiamento, mas isso não muda nossos planos de médio e longo prazo”, disse.

Procurado pela Reuters, o Banco Central não respondeu de imediato sobre o adiamento e eventual novo cronograma de implementação.

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Quando estiver em vigor, o real digital será emitido pelo próprio BC, com previsão de uso em pagamentos de varejo. Ao lançar as diretrizes do projeto em 2021, a autarquia disse que a moeda funcionará como uma extensão do real.

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Ela será distribuída ao público pelos bancos e fintechs, que terão a custódia do ativo, mas será 100% garantida pelo BC e não será remunerada –as instituições não poderão usar esses recursos para aplicações ou empréstimos, como acontece com o real.

Os correntistas deverão ter a alternativa de escolher manter seus recursos em depósitos em reais ou reais digitais. A principal diferença para o usuário é que a moeda digital terá mais possibilidades de integração com novas tecnologias e serviços de pagamento.

A greve dos servidores do BC, que buscam reajuste salarial e redesenho de carreiras, vem afetando a prestação de serviços pela autarquia. Além da suspensão da divulgação de indicadores econômicos e projeções de mercado, foi adiado o início da remuneração a bancos por recursos colocados nas cotas que centralizam as transações do Pix.

Apesar de ter obtido autonomia operacional, o BC não é administrativamente autônomo e as decisões sobre reajustes salariais dependem de liberação orçamentária pelo governo federal.

Com o aperto nas contas deste ano, as discussões no Executivo sobre o tema ainda não foram destravadas. Estão em debate diferentes alternativas, como um reajuste de até 5% a todos os servidores, um adicional apenas em auxílio alimentação ou um aumento a carreiras específicas, como as de segurança, do Banco Central e da Receita Federal.

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