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Grana preta

Vale a pena aproveitar as promoções da Black Friday realizadas por bancos e distribuidoras de investimentos?

Grana preta

A Black Friday está se transformando em uma das datas mais importantes para o varejo brasileiro. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), as vendas na data devem movimentar R$ 3,27 bilhões neste ano, um aumento real de 2,2% em relação ao desempenho de 2017. O comércio aposta nas promoções quando a primeira parcela do décimo-terceiro salário chega às contas-correntes de quem ainda goza desse benefício. Tal movimento vem sendo copiado por bancos e plataformas de distribuição de investimentos, que reduzem taxas e comissões de corretagem para captar
mais clientes.

“Nosso principal objetivo é despertar o investidor em cada um dos clientes”, diz Fabio Macedo, diretor comercial da plataforma de distribuição de investimentos Easynvest. “Em novembro não cobramos a taxa de corretagem dos nossos clientes que investirem em fundos imobiliários”, diz ele. A cortesia foi estendida a quem adquirir cotas dos Exchange Traded Funds (ETF), fundos negociados em bolsa. “As cotas de alguns fundos imobiliários custam apenas R$ 100 e a taxa de corretagem é de R$ 10 por transação, o que faz diferença no preço”, diz Macedo. Outra promoção é a redução da aplicação mínima para fundos de investimento. Um deles, o fundo de ações Alaska Black Institucional, cuja rentabilidade em 12 meses até a quarta-feira 21 era de 45,57%, ante os 25,88% do Índice Bovespa. A aplicação inicial mínima é de R$ 25 mil, mas será possível começar com R$ 1.000 durante a promoção. Outras plataformas seguem o mesmo caminho. A Órama também barateou a aplicação mínima do Alaska Black e dos Certificados de Operações Estruturadas (COEs), que caiu de R$ 5.000 para R$ 1.000. “Queremos dar às pessoas uma alternativa: a opção de fazer o dinheiro crescer, ampliando o acesso aos investimentos”, diz Habib Nascif, CEO da Órama. A promoção vai até o fim do mês.

Promoção na Black Friday: movimento ampliado do comércio atraiu a atenção de quem vende aplicações financeiras

A Toro Investimentos abriu mão de parte de suas comissões para oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDB) mais rentáveis. “A remuneração de um CDB com liquidez diária e aplicação mínima de R$ 1.000 subiu de 101% para 105% do CDI”, diz Gabriel Kallas, sócio fundador da Toro. A remuneração de um papel mais longo, com cinco anos de prazo e sem liquidez, subiu de 120% para 124% do CDI. “Mais do que apenas vender produtos financeiros, queremos que o investidor se sensibilize para a necessidade poupar e de planejar suas finanças”, diz ele. Os bancos não ficaram de fora. O Santander também reduziu a aplicação de fundos de investimento. O Santander Alocação Multimercado, que exige R$ 10 mil iniciais, ficará acessível por R$ 500 para os clientes, e vai oferecer empréstimos cobrando juros mais camaradas. Segundo José Roberto Machado, diretor do segmento Pessoa Física, este é o terceiro ano consecutivo em que o banco parte para a promoção. “Os resultados são bastante positivos, tanto pela adesão quanto pelo reconhecimento dos clientes.” No caso da previdência privada, a Icatu Seguros, maior companhia independente do setor, reduziu as aplicações mínimas em 51 produtos dedicados à formação de pecúlio para a aposentadoria. Em geral, a cifra caiu de R$ 25 mil para R$ 1.000. As taxas de carregamento da maioria dos fundos também estão zeradas.

Vale a pena? Assim como nas promoções da Black Friday que envolvem calçados e eletrodomésticos, é necessário fazer uma pesquisa antecipada. Antes de se decidir por um fundo, por exemplo, é necessário saber se ele se adapta a seu perfil de investidor. Outro ponto a ser avaliado é a liquidez. Kallas, da Toro Investimentos, diferencia os dois CDBs em promoção. “O papel de maior rentabilidade e sem liquidez é indicado apenas para aplicações de longo prazo, a que o investidor dedica o dinheiro de que não vai precisar.” Sem essas precauções, a Black Friday pode causar muita irritação no sábado seguinte, e em muitos outros posteriormente.