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Gráfica que imprime Enem e pediu falência é subsidiária de empresa centenária

Gráfica que imprime Enem e pediu falência é subsidiária de empresa centenária

Apesar de ser subsidiária de uma empresa americana de grande porte, que faz parte da lista das 500 maiores da revista Fortune e registrou faturamento de quase US$ 7 bilhões no ano passado, a gráfica RR Donnelley tem a prerrogativa jurídica de declarar a autofalência no Brasil sem “contaminar” os negócios da matriz.

A subsidiária decretou falência nesta segunda-feira, dia 1º, causando preocupação, já que a empresa é responsável pela impressão das provas do Enem. Especialistas temem problemas com o cronograma da prova deste ano.

Negócio centenário nos Estados Unidos, a RR Donnelley foi fundada em Chicago em 1864. Já na primeira metade do século 20 a empresa era responsável pela impressão de títulos como Time e Life, símbolos da imprensa americana. A RR Donnelley chegou ao País com a compra de uma gráfica nacional de longa tradição, a Hamburg, e posteriormente fez outras aquisições.

“O mercado editorial perde uma fornecedora confiável em todos os sentidos, em prazo, preço e qualidade”, diz Marcos Pereira, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). “A crise no mercado editorial é verdadeira, mas não me parece justificar uma medida tão extrema como a falência.”



Os funcionários brasileiros também foram pegos de surpresa com a medida. A companhia informou que vai liberar os documentos dos empregados para que possam requerer o saldo do FGTS e o seguro-desemprego.

Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), disse que a entidade recebeu com preocupação a notícia da falência. “É sem dúvida mais um duro golpe na indústria gráfica e editorial do Brasil.”

Na semana passada, a Intrínseca comprou 70 toneladas de papel para imprimir uma de suas apostas para este ano, mas os caminhões encontraram a empresa fechada nesta segunda-feira. Para a Sextante, a gráfica estava entre as três principais fornecedoras, responsável por cerca de 20% de seus livros. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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