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GPA estima investimento de até R$ 130 milhões para 20 lojas Compre Bem

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) espera investir entre R$ 100 milhões a R$ 130 milhões no projeto de reformulação de supermercados, com a transformação de 20 lojas Extra Supermercados em Compre Bem, ainda este ano. Apesar dessa nova aposta, o presidente da companhia, Peter Estermann, afirmou que não há mudanças no plano de investimento para 2018, que prevê um Capex de R$ 1,6 bilhão.

Segundo Estermann, a companhia espera ser mais eficiente na alocação de recursos, mas não vai alterar os planos de investimentos em outros formatos de loja esse ano. O GPA mantém a previsão de inauguração de vinte lojas da rede de “atacarejo” Assaí, assim como o plano de reformas de lojas da rede Pão de Açúcar.

A companhia ainda informou que espera que o Compre Bem seja mais eficiente e tenha menos despesas que o modelo atual de supermercados Extra. A expectativa é de um nível de despesas 20% mais baixo, o que deve ser alcançado em razão de menores gastos com publicidade e logística.

O GPA afirma que o Compre Bem não terá investimentos em campanhas publicitárias na televisão e seu foco será a comunicação por meio de panfletos. Isso porque as lojas selecionadas para conversão pretendem ter um alcance regional. Todos os primeiros 20 pontos de vendas que serão convertidos ficam no Estado de São Paulo.

A companhia espera ainda otimizar a logística ao adotar a entrega diretamente por parte de fornecedores nas lojas, sem que os produtos passem por um centro de distribuição.

Experiência do Assaí

O diretor executivo responsável pelo Compre Bem será Sérgio Leite, mas o projeto é comandado ainda pelo atual presidente do Assaí, Belmiro Gomes. Essa decisão ocorreu porque a companhia pretende aproveitar a experiência do Assaí com a expansão e com modelo de custo operacional mais baixo, mas o GPA rejeita a hipótese de que isso signifique uma menor atenção da diretoria pela frente com o formato de loja do Assaí, o “atacarejo”.

Embora avalie que o “atacarejo” de forma geral tende a aumentar menos sua penetração no total do consumo dos lares, Gomes considera que o Assaí ainda tem espaço para crescer e ganhar market share, porque há Estados brasileiros em que a bandeira ainda não está presente e existem regiões onde a presença ocorre com um pequeno número de lojas.

Aquisições

Ao anunciar uma guinada em seu negócio para competir mais diretamente com o modelo de supermercados regionais, o Grupo Pão de Açúcar disse que não pensa no momento em aquisições. Questionado sobre o tema, o presidente do GPA, Peter Estermann, afirmou que a companhia primeiro quer “aprender a operar o formato.

O GPA vai reposicionar uma parte de sua rede de supermercados com o objetivo de atacar o crescimento de redes regionais. Um projeto piloto prevê a conversão de 20 lojas do Extra Supermercados na bandeira Compre Bem, marca utilizada pelo grupo após aquisição em 2002, mas que deixou de ser utilizada em supermercados em 2011. “Vamos aprender a operar e depois a gente pensa”, respondeu Estermann, quando questionado sobre a possibilidade de aquisições de outras redes regionais. “Vamos primeiro decidir como otimizar o portfólio de lojas que temos hoje”, concluiu.

Walmart

A potencial aceleração de investimentos no “atacarejo” por parte do Walmart após a venda para o fundo Advent não é visto com preocupação pelo presidente do Assaí, Belmiro Gomes. O executivo, que comanda a rede de “atacarejo” do GPA, avalia que o segmento “não é tão simples de ser explorado”.

“Não é que eu esteja subestimando qualquer competidor, mas estamos falando de conversões de loja de uma bandeira existente e que estava em encolhimento”, disse Gomes.

O Walmart é dono da rede Maxxi Atacado, mas a avaliação de muitos analistas é de que, enquanto esteve sob o controle do grupo norte-americano, o Maxxi perdeu espaço e não investiu em expansão enquanto as redes de atacarejo do Carrefour, o Atacadão, e do GPA, o Assaí, se expandiram de forma acelerada.

Para Gomes, há hoje diversos competidores no segmento e “não difere muito” se os investimentos vão vir de um concorrente ou de outro.

Reabastecimento

Peter Estermann considera que o reabastecimento de produtos nas lojas ainda não está completo após a paralisação de caminhoneiros ter afetado o transporte de produtos. De acordo com ele, a expectativa é que haja uma normalização em até duas semanas para a maioria dos itens.

A exceção são as carnes bovinas, suínas e de aves, além de ovos e leite, cujo abastecimento deve levar mais tempo a normalizar em razão de dificuldades nos produtores.

Segundo Estermann, a greve de caminhoneiros afetou de formas diferentes as regiões de atuação da companhia e os vários formatos de loja em que o grupo atua. Em localidades mais distantes dos polos de produção da indústria – caso de Manaus ou Belém – o impacto no abastecimento demorou mais a aparecer, mas a retomada é também mais lenta, em razão do prazo maior que leva até que as mercadorias cheguem.

O presidente do GPA destacou que, num momento inicial, os esforços da companhia se concentraram em abastecer as lojas com mercadorias disponíveis nos centros de distribuição. Passado esse período, o momento seguinte é de reabastecimento dos estoques nessas centrais.

Vendas

Apesar das dificuldades no abastecimento afetarem os resultados de maio, Estermann afirmou que a companhia vinha de um cenário favorável em abril. Segundo ele, a empresa obteve ganhos de market share em abril e houve uma tendência favorável para as vendas na bandeira Extra, incluindo hipermercados e supermercados.

Os supermercados Extra vinham sendo um ponto de atenção de investidores em razão do desempenho mais fraco de vendas. No primeiro trimestre de 2018, a bandeira Extra – que inclui ainda hipermercados – registrou queda de 6% nas vendas brutas em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Segundo Estermann, os resultados do segundo trimestre no Extra devem ser melhores. “Vamos entregar uma redução muito forte nessa queda (de vendas do Extra registrada no primeiro trimestre”. Questionado sobre se os resultados do Extra iriam “virar”, saindo da tendência de retração para um crescimento, ele disse que “se não virar, vai ficar perto”.