Negócios

GP fora de foco

Três das empresas que ela controla não andaram bem nos últimos 12 meses. Uma delas, a Imbra, que recebeu US$ 126 milhões em investimentos, foi vendida pelo valor simbólico de apenas US$ 1

Maior fundo de private equity da América do Sul, a GP Investimentos deveria ser uma especialista em realizar grandes negócios. Sua lógica empresarial é comprar barato, vender caro e faturar muito. Nos últimos meses, porém, a companhia vem levando alguns tombos. O último deles se deu na segunda-feira 21, quando a gigante que administra recursos da ordem de US$ 4 bilhões anunciou a venda de sua participação de 45,2% na Imbra, empresa paulista focada em tratamentos dentários, para o grupo empresarial brasileiro Arbeit. Fersen Lambranho e Antonio Bonchristiano, os executivos que desde 2004 dão as cartas na GP, fecharam o negócio por um valor simbólico: US$1.



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4 bi­lhões de dólares é o total de recursos que Lambranho (foto) e Bonchristiano administram na GP Investmentos
 

Pior ainda: a Imbra custou à GP US$ 126 milhões, dinheiro desembolsado pela empresa em um período de 20 meses. Por que Lambranho e Bonchristiano erraram a mão? Perderam a capacidade de farejar oportunidades? Se a Imbra fosse o único problema da GP, não haveria motivo para desconfiança – afinal, no universo dos investimentos, equívocos acontecem e são cometidos por fundos privates do mundo inteiro. O que chama a atenção é o fato de, no caso da GP, as derrapadas acontecerem com certa regularidade. No seu portfólio, formado por 12 empresas, há pelo menos outras duas que acenderam o sinal amarelo: a Magnesita e a San Antonio International. Nos três casos, a explicação oficial para os problemas é a queda de demanda nos mercados em que elas operam: saúde, mineração e petróleo, respectivamente.

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A Magnesita foi comprada pela GP em 2007 por US$ 1,09 bilhão, pouco antes do estouro da crise mundial que derrubou os mercados e atingiu em cheio os Estados Unidos e a Europa. Resultado: com a queda das encomendas dos clientes, a Magnesita viu suas vendas declinarem, o que culminou em dívidas de R$ 2 bilhões. Sediada na Argentina, a San Antonio era a operação latino-americana da Pride International, adquirida em 2008 pela GP por US$ 1,2 bilhão. Detalhe: hoje, a San Antonio vale apenas US$ 400 milhões – em apenas dois anos, portanto, a companhia perdeu impressionantes US$ 800 milhões; além disso, o balanço de 2008 fechou com US$ 241,7 milhões no vermelho e a recuperaçao só veio em 2009, com lucro de US$ 132 milhões (antes do imposto). Os números indicam que não é exagero afirmar que a GP, até pouco tempo atrás considerada infalível por muita gente, está com dois micos nas mãos. Procurada pela DINHEIRO, a empresa não quis se pronunciar.

Professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas e um dos autores do livro A Indústria de Private Equity e Venture Capital, Gledson Carvalho diz que nunca é possível escolher com precisão uma empresa destinada ao sucesso, mas garante que as ruins não demoram para indicar que só vão trazer problemas pela frente. “Um ditado do mercado de capital de risco americano diz que os limões amadurecem rápido, mas as pérolas levam bastante tempo”, afirma Gledson. “Os investidores sabem que sempre haverá uma parcela de fracassos. Tipicamente, uma firma de private equity perde em 60% dos casos, ganha um pouco em 30%, mas nos 10% que dão certo ganha tanto que isso cobre  todo o prejuízo e ainda gera um lucro magnífico.”

Para a GP, a Imbra seria um limão que só traz perda de tempo e dinheiro. Opinião semelhante é compartilhada por Catarina Pedrosa, gerente-geral da Banif Gestão de Ativos. “Se a GP está perdendo em duas ou três operações, mas ganha em muitas outras, então está tudo bem”, diz Catarina. “Isso acontece com todos os bancos de investimento”, diz.

Para ela, a inteligência nesse tipo de negócio está também em sair na hora certa: “Quem comprou certamente não olha o negócio como um mico, mas possivelmente é alguém que tem o know-how para transformar essa operação num sucesso.”


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