Golpistas ou vítimas?

Dois ex-diretores da rede varejista Marisa, Geraldo Alves Vieira e Renê Antonio da Silva, terão de responder na Justiça sobre um suposto golpe milionário aplicado a centenas funcionários da empresa e pequenos investidores do mercado. Isso porque, ao deixarem seus cargos nas áreas de finanças da empresa de fast fashion, eles montaram um fundo de investimento, a SCP Miner, que atraiu recursos de cerca de 800 pessoas. Na última semana, eles anunciaram o encerramento das atividades do fundo, com prejuízos de 75,2%. A alegação é que foram vítimas de outro fundo, a carioca JJ Invest, que teria sumido com R$ 170 milhões de investidores em todo o País. “Há claros indícios de que Geraldo e Rene também aplicaram um golpe na praça, algo que vamos cobrar judicialmente agora”, afirmou o advogado que deverá ser nomeado representante dos investidores lesados. Procurados, os fundadores da Miner não foram encontrados para comentar o caso.

Resposta da empresa
É preciso esclarecer que a Miner e seus diretores não agiram irregularmente. A empresa encerrou as atividades por recomendação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Na liquidação dos ativos devidos aos sócios, apurou-se perdas de 75,27% na carteira de investimentos, decorrentes de um golpe perpetrado pela JJ Invest, empresa na qual a Miner tinha aplicações e contra quem foi movida uma ação de ressarcimento na Justiça do Rio de Janeiro. Os cerca de 1.100 sócios — inclusive os diretores da empresa, que tiveram igual prejuízo — foram ressarcidos com o repasse dos 24,73% das aplicações a que tinham direito, o que põe por terra a hipótese de golpe e demonstra a intenção da Miner de honrar seus compromissos. Cabe frisar que todos os sócios estavam cientes, por contrato, que os investimentos eram de alto risco, estando sujeitos a perdas. A Miner sempre recomendou aos sócios a diversificação dos investimentos, limitando a 20% os realizados na empresa, e nunca garantiu rentabilidade das aplicações. A Miner continua aberta para o esclarecimento de eventuais dúvidas.

(Nota publicada na Edição 1134 da Revista Dinheiro)


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