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Gol desaba na Argentina, mas Volkswagen ainda é líder

Crise econômica no governo Macri afeta as vendas do carro mais vendido do nosso vizinho sul-americano

Gol desaba na Argentina, mas Volkswagen ainda é líder

Volkswagen mostra o esportivo Gol GT concept no Salão do Automóvel de São Paulo, em 2016

O Volkswagen Gol está seriamente ameaçado de perder o título de carro mais vendido da Argentina. Com uma queda acumulada de 24,3% nas vendas de 2018 e um recuo de 31,9% em abril, o Gol despencou no ranking e ocupa apenas a quinta posição. Ele só emplacou 12,2 mil unidades no primeiro quadrimestre, sendo 2,5 mil em abril. Foi disparado o carro que mais perdeu vendas este ano entre os dez mais vendidos do mercado argentino.

A queda do Gol tem uma causa: é a crise econômica que afeta o governo Macri. Enquanto as políticas neoliberais do governo Macri fazem água, com possibilidade de um acordo com o FMI, o Gol sofre – até por ser o mais popular. Enquanto isso, o Ford Ka cresceu 60,3%, o Chevrolet Onix avançou 42,8% e o Toyota Etios subiu à liderança com 32,6%.

O ranking de carros da Argentina mostra que a classe média baixa e os pobres são os que mais sofrem com a crise. Afinal, além dos três carros citados (todos posicionados acima do Gol), o outro veículo que aparece entre os top 5 do ranking é a picape Toyota Hilux, comercializada principalmente entre fazendeiros. O ranking atual aponta a seguinte ordem: Etios (13,8 mil vendas), Hilux (13,7 mil), Onix (13,6 mil), Ka (13,1 mil) e Gol (12,2 mil).

Abaixo do hatch da Volkswagen, dois carros ameaçam sua posição: o sedã Chevrolet Prisma (12,2 mil, mas com vendas acima do Gol em abril) e o subcompacto Renault Kwid (8,6 mil, mas entrando agora no mercado, já com 2,3 mil emplacamentos/mês). As diferenças são pequenas, para cima e para baixo, mas na Argentina o mercado é muito mais disputado do que no Brasil, por isso é difícil o Gol reverter sua queda em relação do líder Etios.

A disputa entre as marcas

Segundo a consultoria Focus2Move, a Volkswagen ainda mantém a liderança entre as marcas. Ela já emplacou 51,7 mil carros de janeiro a abril, enquanto a vice-líder Renault somou 49,8 mil. Porém, enquanto a Renault cresceu 32,2% este ano, a Volks subiu apenas 4,3%. Mais duas marcas estão atualmente na casa dos 40 mil carros vendidos: a Chevrolet (45,5 mil) e a Ford (43,3 mil). Apesar de ter dois carros em primeiro e segundo lugares, a Toyota aparece apenas em quinto lugar no ranking de marcas, com 37,1 mil licenciamentos.

Assim como no Brasil, a economia argentina trata a indústria automobilística a pão de ló. No governo de Cristina Kirchner, a indústria argentina chegou a vender 1 milhão de carros. Depois, com a crise econômica e o ocaso do governo, houve um rápido declínio para 620 mil unidades/ano. Macri assumiu turbinando o setor e as vendas reagiram, chegando a 892,7 mil carros no ano passado, um crescimento de 29,8% em relação a 2016.

Agora o momento é de incerteza na Argentina. Enquanto Macri tenta recolocar a economia nos eixos, a indústria automobilística volta a acender o sinal amarelo. Por enquanto, as duas entidades do setor, Acara e Adefa, mantêm as previsões de chegar a 1,021 milhão de unidades em 2018, o que seria resultado de um crescimento de 14,4%.

Nesse panorama, alguns carros podem mudar radicalmente de posição – como vem ocorrendo com o Etios e o Gol – e as montadoras também podem ter suas forças reposicionadas no xadrez da indústria. Tanto que na soma das marcas, o fabricante que está na liderança do mercado argentino é a Aliança Renault Nissan, com 58,0 mil vendas. A Volkswagen está em segundo e a GM em terceiro. Longe da disputa pela liderança, a FCA (Fiat Chrysler) está em quarto lugar, com 44,4 mil carros vendidos e se dará por satisfeita se terminar nessa posição.


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