Revista

General pede para sair

Crédito: Mateus Bonomi

“General Villas Bôas, o que já conversamos ficará entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui” (Crédito: Mateus Bonomi)

Na terça-feira (21), foi publicado no Diário Oficial da União, em edição extra, a exoneração do general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas do cargo de assessor especial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), comandado pelo general Augusto Heleno. O pedido teria saído do próprio Villas Bôas, mas coincidiu de acontecer após a revista Piauí apurar se ele andava trabalhando in loco. Sua escolha para comandar o Exército, em 2015, foi provavelmente o maior erro político da vida de Dilma Rousseff. Ele ficou no cargo até a virada de 2018 para 2019, quando pulou de corpo e alma no recém-começado governo Jair Bolsonaro. “Gostaria de externar a minha felicidade por receber uma missão do presidente para integrar o GSI”, afirmou à época. Quem agradeceu, mesmo, foi Bolsonaro: “General Villas Bôas, o que já conversamos ficará entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, disse, no dia de sua posse como presidente. Para juntar lé-com-cré vale lembrar que o quatro-estrelas foi quem tuitou em abril de 2018 a ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF) às vésperas de julgar Lula e tirá-lo da corrida presidencial — deixando a pista limpa para a eleição de Bolsonaro. A postagem que amedrontou e fez encolher o STF teve, segundo disse o general três anos mais tarde, um rascunho elaborado por seu staff e integrantes do alto comando que viviam em Brasília. Villas Bôas sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença de caráter degenerativo.

FARRA ESPORTIVA
Nunes Marques: o tour do ministro do STF

Kassio Nunes Marques não tem exatamente o physique du rôle de um atleta. Uma pena, porque o ministro do STF parece gostar bem de esporte. No fim de maio, pegou carona num jato, na companhia de um dos filhos, para assistir a três eventos de primeira linha — não em Teresina, sua cidade natal, mas por Paris e Mônaco. Viu a final da Champions League (futebol), jogos de Roland Garros (tênis) e o GP de Mônaco (Fórmula 1). Um detalhe: o jato tem como um dos sócios o advogado Vinícius Peixoto Gonçalves, que atua em processos em curso na nossa suprema (sic) corte. O advogado já foi também denunciado pelo Ministério Público Federal como operador financeiro do ex-ministro das Minas e Energia Edison Lobão. Seu nome apareceu em investigações sobre propinas em obras da usina nuclear de Angra 3. As informações foram veiculadas na sexta-feira (17) pelo portal Metrópoles. Para explicar o inexplicável o ministro Kassio emitiu (acima à direita) uma das notas públicas mais sem sentido da história.

500 MILHÕES

Este é o valor da multa aplicada no ano passado pela Autoridade de Concorrência da França ao Google por não remunerar as empresas jornalísticas em suas buscas. A big tech discordava da decisão. Na terça-feira (21), a batalha judicial chegou ao fim. A empresa disse que irá adotar uma série de compromissos de remuneração junto aos veículos de imprensa — a metodologia para calcular o valor desses direitos será discutida pela gigante de tecnologia com os editores e deve ter efeito dominó no mundo todo. “Estávamos determinados a encontrar uma solução. Conseguiremos virar a página e olhar para o futuro”, disse Sébastien Missoffe, diretor do Google na França, ao jornal Le Figaro. A companhia americana, que havia contestado a multa, vai retirar o processo de apelação.

AS 95 PALAVRAS QUE NADA DIZEM (OU DIZEM TUDO)

“O ministro Kassio Nunes Marques reafirma que não tem vínculo com Vinicius Gonçalves. O advogado não pagou qualquer despesa de viagem do ministro. Não houve qualquer convite do advogado ao ministro. Conheceram na viagem e nunca existiu contato anterior. Também são inverdades a referência a tour realizado em Mônaco e Roland Garros. Nunca existiu. A publicação ‘Bancado por advogado, ministro do STF vai de jatinho a Paris para final da Champions’ baseia-se em informações erradas para criar um contexto que não existe e criar um falso cenário. Trata-se de agenda particular, realizada dentro da legalidade

Toda vez que um funcionário público de elite cita legalidade é porque normalmente faltou legitimidade e moralidade

RELIGIOSO E EDUCADOR
PF prende ex-ministro de Bolsonaro por corrupção

Mateus Bonomi

Esquentou e muito o tempo em Brasília na quarta-feira (22). Por causa de uma operação realizada a mais de 1 mil quilômetros dali, em Santos (SP), onde o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso por agentes da Polícia Federal (PF). Ele é investigado por suspeita de tráfico de influência e corrupção, entre outros crimes, quando comandava a Pasta. Em março, o jornal O Estado de S.Paulo divulgou que a ‘catraca’ do MEC para a liberação de verbas para as cidades era comandada por dois pastores, Arilton Moura e Gilmar Santos (Ribeiro também é pastor). Dias depois, o jornal Folha de S.Paulo divulgou áudio em que o ministro dizia que, “a pedido de Bolsonaro”, liberava dinheiro aos municípios indicados pelo pastor Gilmar. As denúncias levaram ao pedido de saída de Milton Ribeiro. Na época, o presidente Bolsonaro reagiu dizendo que “colacava a cara no fogo” por seu ministro. Agora, questionado pela prisão, sua lealdade dilui-se: “Ele responde pelos atos dele”. A equipe de frente da candidatura de Bolsonaro sabe que o tema será munição farta na mão dos adversários na corrida presidencial.

“Você não pode alimentar famintos com estatísticas” Heinrich Heine (1797-1856) Poeta alemão.

MÍDIA
Naomi Osaka vira publisher

Aos 24 anos e quatro vezes vencedora de um torneio de Grand Slam, a tenista japonesa Naomi Osaka está lançando uma empresa, chamada Hana Kuma, de produção de conteúdos, em parceria com a The SpringHill Company, conglomerado de comunicação que tem como um dos sócios o também esportista LeBron James, jogador de basquete do Los Angeles Lakers. A Hana Kuma produzirá séries de tv, documentários e conteúdo de marcas, começando com um roteiro sobre Patsy Mink, a primeira mulher negra eleita para o Congresso dos EUA.

DA SÉRIE…
Por que o Brasil ainda não chegou ao século 21

Rodrigo Oliveira é um chef conceituado. Recebeu de uma cliente um comentário totalmente preconceituoso (acima) em relação ao bairro paulistano de periferia em que fica uma de suas casas — a principal, o Mocotó, endereço de comida nordestina aberto por seu pai. Além dela, Oliveira comanda ainda o Café Mocotó (Pinheiros) e o Balaio (junto ao Instituto Moreira Salles na avenida Paulista), além do Caboco, em Los Angeles, aberto em 2021.

DEBANDADA
Largar o emprego bate recorde nos EUA (e vira música de Beyoncé)

Image Press Agency

Break My Soul é o mais recente single da cantora Beyoncé e foi lançado na segunda-feira (20). A letra fala do mal-estar dos trabalhadores com suas rotinas profissionais (“eu acabei de me demitir, agora vou encontrar um novo estímulo”, diz um trecho), O número de americanos que deixou seus empregos de forma voluntária em 2021 foi recorde histórico: 47 milhões.

MERCADO
Kellogg vai se tornar três empresas

Foi anunciado na terça-feira (21) que a americana Kellogg se dividirá em três empresas, focadas em cereais, snacks e alimentos plant-based (à base de vegetais). O processo deverá ser concluído até o fim de 2023. A centenária companhia tem valor de mercado de US$ 23 bilhões e realizou vendas líquidas de US$ 14,2 bilhões em 2021, com US$ 11,4 bilhões da divisão de snacks, US$ 2,4 bilhões dos cereais e US$ 340 milhões da unidade plant-based. “Todos esses negócios têm um potencial autônomo significativo, e um foco aprimorado permitirá que direcionem melhor seus recursos”, disse o CEO Steve Cahillane. A empresa atua no Brasil há 61 anos.