Giro

Gaza adapta fábricas para produzir máscaras e roupa médica


A fábrica Queen Tex em Gaza costumava fabricar camisas e calças, mas com a nova epidemia de coronavírus que varre o mundo, ela foi transformada e adaptada para começar a produzir roupas e máscaras médicas.

Filas de homens agora usam velhas máquinas de costura para produzir máscaras faciais – que eles próprios usam – como parte do esforço do enclave palestino sob o bloqueio de Israel para dar uma resposta local à crise.

“Pretendíamos importar máscaras e trajes da China, mas houve dificuldades em fazer isso. Então, decidimos fabricá-las nós mesmos”, disse o gerente, Hassan Alwan.

A fábrica opera segundo padrões internacionais, mas possui recursos suficientes para fabricar somente cerca de 1.000 trajes para materiais perigosos, acrescentou.

Até agora, a Faixa de Gaza teve apenas alguns casos confirmados de COVID-19.

As roupas, máscaras e luvas são inicialmente fabricadas para o mercado local, com potencial para serem posteriormente exportadas para Israel, que enfrenta um surto muito mais sério.

Gaza está praticamente isolada por Israel desde que o movimento islâmico Hamas assumiu o controle do território em 2007.

O Hamas determinou que máscaras e trajes não podem ser exportados até que as necessidades do mercado local sejam atendidas. Mas Hassan Shehata, codiretor de outra fábrica, a Hasanco, está otimista e acha que poderá vender para o mercado israelense.

“As empresas israelenses nos enviaram o tecido para produzir máscaras médicas para elas. Precisam de milhões de máscaras”, disse. “Queremos produzir três milhões de máscaras”, acrescentou.

Dezenas de funcionários trabalham 10 horas por dia, mas não há máquinas suficientes para atender a essas metas de produção, comentou.

Muitas fábricas palestinas costumavam abastecer o mercado israelense antes de 2007. Agora, a crise do coronavírus poderia permitir uma recuperação da indústria têxtil de Gaza, acredita Maher al-Tabbaa, da câmara de comércio local.

“A indústria de confecção de Gaza é caracterizada pela alta qualidade, que compete globalmente, se for dada a capacidade de exportar”, afirmou ele.

– Medo de surto devastador –

Até agora, Gaza declarou apenas dez casos do novo coronavírus, começando com duas pessoas que retornaram do Paquistão e já estavam em quarentena quando foram diagnosticadas.

Mais tarde, sete guardas ligados a elas foram infectados, enquanto um décimo caso foi anunciado na segunda-feira.

As autoridades do Hamas fecharam escolas e mesquitas, e a única outra fronteira de Gaza, com o Egito, também foi fechada.

Mais de 1.500 palestinos que retornaram daquele país pouco antes do fechamento foram colocados em quarentena no sul do território.

Permanece, porém, o medo de que qualquer surto na empobrecida Gaza possa se espalhar rapidamente.

O enviado da ONU, Nickolay Mladenov, disse na segunda-feira (30) que o sistema de saúde de Gaza estava sobrecarregado, mesmo antes do surgimento da doença.

“Gaza é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo e isso, junto com seu já frágil sistema de saúde, faz o risco de COVID-19 ser particularmente alto”, declarou ele ao Conselho de Segurança da ONU.

Até o momento, Gaza manteve uma aparência de normalidade, com barbearias e outras lojas ainda abertas, embora os funcionários sejam obrigados a usar equipamentos de proteção.

Além de tesoura e gel de cabelo, o barbeiro Rami Azzam tem caixas de luvas e máscaras e spray desinfetante prontos.

“Os funcionários do Ministério da Saúde vêm diariamente para esterilizar as barbearias. Eles impuseram medidas duras”, disse ele. “Mas quase nenhum cliente vem fazer a barba”, lamentou.

O cliente Suleiman al-Dahdur, de 28 anos, disse que evitava cortar o cabelo até saber das medidas de proteção. “É claro que há medo. Mas como você vê, o barbeiro está usando uma máscara e luvas”, comentou.