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Gabriel Verea, CEO da Teva Indices

Crédito: Divulgação

Quem é e o que faz: formado em administração pública pela EAESP/FGV. pós-graduado em finanças pela Universidade da Califórnia (UCLA). Trabalhou com private equity na gestora HIG. Fundou a Teva Indices em 2019. (Crédito: Divulgação)

Qual o modelo de negócios da Teva Indices?
Nosso negócio são Exchange Traded Funds (ETF). Nós estruturamos ETFs, que são geridos por empresas de gestão e distribuídos nas principais plataformas de investimento. Já temos quatro fundos estruturados no mercado. Um fundo que reúne ações de empresas de commodities, um de ações de tecnologia, um de ações de pequena capitalização de mercado, as chamadas small caps, e um fundo de fundos que reúne as melhores carteiras de alguns gestores. Os ETFs que estruturamos e que são geridos por empresas parceiras já têm 18 mil cotistas e um valor de R$ 390 milhões.

Qual a principal vantagem dos ETFs?
Sua flexibilidade. Dependendo do ETF, o pequeno investidor pode ter acesso a aplicações avançadas. Podem ser ações de tecnologia americanas, empresas de alto crescimento, companhias europeias maduras. Ao mesmo tempo, outro ETF pode oferecer um acesso muito mais barato ao Ibovespa. Eles estão entre os investimentos mais flexíveis que existem, o que permite uma enorme democratização no mundo dos investimentos.

Por que os ETFs podem render mais que os fundos de gestão ativa?
O raciocínio é simples. Pensemos em um fundo como uma empresa. O gestor, seja do fundo, seja da empresa, tem muito mais controle sobre os custos do que sobre as receitas. Você pode controlar quanto vai gastar, mas não define quanto vai faturar. Assim, em um mercado com produtos muito semelhantes, quem tiver custos menores vai apresentar um desempenho melhor.

E como é esse cálculo no caso dos ETF?
Um fundo ativo convencional cobra, em média, 2% de taxa de administração, que independe do resultado, e 20% do que superar o resultado do indexador. Se for possível eliminar esses custos de saída, a competitividade aumenta.

Mas os ETFs têm taxa de administração, não?
Sim, eles têm. Porém, há outra vantagem. O gestor de um ETF sabe que sua carteira é bastante estável. Então, ele provavelmente não será surpreendido pela necessidade de vender boa parte do patrimônio sem aviso prévio. Com isso, é possível para o gestor obter uma renda adicional com o aluguel de ações para terceiros. Não é uma renda elevada, mas é o suficiente para compensar uma taxa de administração reduzida. Para o cotista, é mais ou menos como se o fundo não cobrasse taxa de administração.

NOTAS

Fundos têm resgate de R$ 1,7 bilhão

Os fundos de investimento tiveram resgates líquidos de R$ 1,7 bilhão entre os dias 17 e 21 de janeiro, segundo relatório semanal da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), associação que representa o setor. Os maiores resgates foram registrados pelos fundos multimercados, com saídas líquidas de R$ 4,3 bilhões, seguidos pelos fundos de ações, com saques de R$ 2 bilhões. Os fundos de renda fixa captaram R$ 4,8 bilhões.

CVM questiona renda de FII da XP

A CVM questionou na terça-feira (25) a forma de cálculo da remuneração dos cotistas do fundo imobiliário Maxi Renda (MXRF11), carteira gerida pela XP e administrada pelo BTG Pactual, e que tem o maior número de cotistas do mercado. A CVM afirma que o fundo só pode distribuir rendimentos quando houver lucro contábil, mas a prática da indústria é distribuir lucros com base no resultado de caixa. A decisão da CVM, que não foi unânime, deve causar volatilidade no mercado.

Nubank lança produto de renda fixa

O Nubank lançou, na sexta-feira (21), seu primeiro fundo referenciado DI. Denominado Reserva Imediata, o fundo tem liquidez elevada, como uma carteira do tipo money market. A aplicação mínima é de R$ 1,00 e a taxa de administração será de 0,3% ao ano. Segundo a empresa, o objetivo é proporcionar rendimentos que devem variar entre 100% e 105% do CDI. O fundo vai investir em títulos públicos, operações compromissadas e títulos de crédito privados.

EM ALTA
2,62% 

Foi a alta média dos aluguéis comerciais em 2021, a maior registrada em um ano desde os 5,13% de aumento de 2013, segundo o índice FipeZap que mede a variação dos aluguéis, divulgado na terça-feira (25). As maiores altas ocorrerem em Curitiba, aumento de 8,68%, em São Paulo, alta de 3,41% e em Brasília, com um avanço de 3,14%. Mesmo assim, a rentabilidade média dos aluguéis comerciais permanece inferior à taxa Selic. Em dezembro, o retorno médio do aluguel comercial era de 5,55% ao ano.

EM BAIXA
25,2% 

Foi a queda acumulada, em reais, das cotações do bitcoin no acumulado do ano, até a quarta-feira (26). A principal criptomoeda estava cotada a R$ 198,8 mil, menor nível desde os R$ 192,9 mil registrados em 26 de julho de 2021. As principais causas para a queda foram a perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos e restrições legais. Na terça-feira (25), o Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou a El Salvador que deixasse de usar o bitcoin como sua moeda em substituição ao peso.