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Futuro em construção

Multinacional JBC, fabricante de máquinas e equipamentos, mantém plano de investir R$ 100 milhões no País até 2021 e aposta nas ações do governo sobre saneamento básico para aquecer o setor.

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José Gonçalves, presidente da JCB “A cadeia de suprimentos não está assegurada. Temos de ser cautelosos” (Crédito: Divulgação)

A multinacional inglesa JCB vive um paradoxo em meio à pandemia no Brasil. A fabricante de máquinas e equipamentos para todo tipo de construção prevê crescimento de, no mínimo, 20% na produção deste ano. A estimativa está relacionada ao plano de investimentos de R$ 100 milhões – anunciado em 2019 e válido até 2021 – para ampliação da produção e o lançamento de produtos na planta de Sorocaba (SP), responsável pelo atendimento ao mercado latino-americano. Por outro lado, o impacto da alta do dólar no preço de componentes (um terço deles é importado) tem pressionado o caixa e afetado os resultados locais da companhia. Além disso, há o risco de falta de suprimentos no País em caso de nova onda de contaminação pelo coronavírus, especialmente em territórios europeu e asiático. “A cadeia de suprimentos não está assegurada. Temos de ser cautelosos”, afirmou à DINHEIRO o presidente da companhia, José Luís Gonçalves.

O executivo colombiano-português naturalizado brasileiro disse que a JCB enfrentou dificuldades para garantir peças para os seus produtos devido ao lockdown imposto em outros países no primeiro semestre. Os principais fornecedores da empresa estão na Alemanha, na Itália e na Ásia. “Também tivemos o aumento dos custos de materiais e até mesmo logísticos”. A empresa tem 22 plantas no mundo que produzem mais de 300 modelos de maquinários, como retroescavadeiras, empilhadeiras e carregadeiras.

Gonçalves não revela números, mas afirmou que o caixa e os resultados da operação brasileira têm sido muito impactados pelo dólar. A moeda americana iniciou o ano a R$ 4,05 e, depois de quase chegar a R$ 6, está em R$ 5,40. “Nós, como praticamente todas as empresas do nosso ramo, importamos uma parte relevante do material de fornecedores pelo mundo e o valor do dólar não muda lá fora”, afirmou. “Em janeiro, US$ 100 comprados em componentes custavam R$ 400. Hoje, custam quase R$ 600. Esse é o lado mais duro do negócio.”

Apesar dos desafios, o executivo acredita que o mercado terá crescimento de 20% no ano e espera que a JCB registre, no mínimo, esse mesmo índice de aumento na sua produção. Em 2019, saíram da empresa no interior de São Paulo 2,2 mil máquinas. “O mais importante é que a demanda está crescendo”, afirmou. “Este ano deveremos produzir 2,6 mil máquinas, mas ainda bem abaixo da nossa capacidade (que é de 10 mil ao ano).”

DEMANDA POR MÁQUINAS Apesar dos desafios, a JCB deverá crescer 20% no ano, mesmo índice de aumento na sua produção. (Crédito:Divulgação)

O SETOR Em 2019, a indústria produziu no País 16 mil máquinas e equipamentos – com alta de 167% em relação a 2017, o primeiro ano de saída da crise para o setor. “Em 2020, de janeiro a junho, a produção atingiu quase 10,5 mil unidades. Temos a perspectiva de que o montante chegue a 21 mil até o fim de dezembro”, disse o presidente da JCB. O volume ainda está distante das 24 mil unidades fabricadas em 2014, mas ele acredita que o número que deve ser alcançado já no ano que vem.

Gonçalves vê na aprovação (em julho) do novo marco legal de saneamento básico, que autoriza a entrada da iniciativa privada no ramo, importante ferramenta para expansão do mercado de máquinas e equipamentos no Brasil, uma vez que o projeto do governo federal pretende levar água e esgoto tratado a diversas regiões do País. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na ocasião que o setor de saneamento deve atrair investimento de até R$ 700 bilhões nos próximos anos, além de gerar 1 milhão de empregos em cinco anos. “Só para se ter ideia, hoje já temos necessidade de 30 mil máquinas por ano para fazer saneamento e tratamento das redes que já existem.”

Apesar do otimismo, o mercado de trabalho no segmento registrou queda por causa da redução no nível de operação da indústria de máquinas e equipamentos no ano. Em junho, o setor computou 295,8 mil trabalhadores, redução de 3,7% em relação ao mesmo período de 2019. No primeiro semestre, foram demitidos 6,6 mil funcionários, após 3,1 mil contratações no início do ano. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), houve ainda retração de 8,5% no faturamento do setor no acumulado de janeiro e junho.

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