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Fundo Catterton compra parte da Odonto Company

O fundo americano L Catterton comprou um terço das ações da Odonto Company, rede de clínicas odontológicas voltada às classes C e D. O valor do aporte não foi revelado, mas o fundo não costuma fazer “cheques” inferiores a US$ 50 milhões, ou R$ 200 milhões. Continuam na sociedade Paulo Zahr, que fundou a empresa há 30 anos, no interior de São Paulo, e José Carlos Semenzato, conhecido investidor em negócios de apelo popular, como Microlins (ensino profissionalizante), Embelleze (salões de beleza) e Espaço Laser (depilação).

Depois de 20 anos como empreendedor individual – sem conseguir fazer uma expansão relevante de seu negócio -, Zahr se associou a Semenzato em 2011 com o objetivo de replicar o modelo de atendimento a preços baixos em todo o País. De lá para cá, o negócio passou de apenas duas para um total de 600 pontos, graças ao sistema de franquias.



Com o aporte do fundo americano, a ideia é dobrar o número de unidades nos próximos dois anos. O valor das franquias varia de R$ 220 mil a R$ 450 mil, dependendo do tamanho da clínica contratada. “Já temos 280 contratos assinados para o ano que vem”, adianta Semenzato. O faturamento atual da Odonto Company deve ser de R$ 600 milhões em 2019.

Zahr explica que o modelo de clínicas foca no público que não pode ter acesso à maioria dos consultórios, voltados para as classes A e B. A estratégia é de preço baixo e volume – uma obturação, por exemplo, custa R$ 29,90.

Para um executivo de banco de investimento ouvido pelo jornal O Estado de S. Paulo, a atuação na odontologia tem uma vantagem clara em relação a modelos de atendimento médico, como o Dr. Consulta. Neste caso, o paciente tem a opção de recorrer ao SUS, que é obrigado por lei a oferecer atendimento gratuito à população. “Não existe um SUS da odontologia. O atendimento dentário público é bem mais restrito. Então, a pessoa, por mais pobre que seja, vai ter de pagar alguma coisa em um caso mais emergencial. Na hora da dor, todo mundo dá um jeito.”

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Isso não quer dizer que as grandes apostas de fundos em clínicas odontológicas sejam um caminho certeiro. Exemplo disso foi a Imbra, companhia de implantes dentários, que pertencia ao fundo GP Investimentos. Além de ter sido um fracasso comercial – o fundo foi obrigado a repassar a empresa por R$ 1 para o fundo abutre Arbeit, o projeto também deixou um rastro de consumidores que pagaram pelo tratamento e ficaram sem atendimento.

Para o fundo L Catterton, o investimento em uma rede de clínicas odontológicas de apelo popular faz sentido, uma vez que a empresa também é dona do maior negócio do gênero no Canadá, a Dental Corp, que tem 250 unidades. A rede também investe em uma proposta semelhante na Itália, a Care Dent. Por aqui, o fundo já tem uma parceria com Semenzato na Espaço Laser. Em outro segmento, o da classe A, o L Catterton está presente na rede de supermercados St. Marché.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.