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Forças russas avançam para fronteira turco-síria para garantir retirada curda

As forças russas se dirigiam nesta quarta-feira (23) para o nordeste da Síria para garantir a saída de todos os combatentes curdos de uma vasta zona de fronteira com a Turquia, sob um acordo concluído no dia anterior entre Moscou e Ancara.

Já presentes na Síria, onde apoiam o Exército do presidente Bashar Al-Assad, os militares russos cruzaram o Eufrates, rio que atravessa o norte do país.

“Eles estão se aproximando da fronteira entre a Síria e a Turquia”, anunciou o Ministério russo da Defesa.

Também nesta quarta, o presidente americano, Donald Trump, considerou “um grande sucesso” o acordo para deslocar as forças curdas da fronteira.

Criticado por retirar as tropas americanas da região e deixar os curdos sírios desprotegidos, Trump comemorou no Twitter o “grande sucesso na fronteira entre a Turquia e a Síria. A zona de segurança foi criada! O cessar-fogo foi respeitado e as missões de combate terminaram”.

“Os curdos estão seguros e trabalharam muito bem conosco”, garantiu.

Já para o Kremlin, “nos últimos anos, os Estados Unidos têm sido o aliado mais próximo dos curdos. Mas, no final, eles os abandonaram e os traíram de fato”, afirmou o porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, citado pelas agências de notícia russas.

“Agora eles preferem empurrar os curdos para a fronteira, forçando-os quase a entrar em guerra com os turcos”, acrescentou.

Em uma reunião na terça-feira em Sochi, na Rússia, o presidente Vladimir Putin e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, concluíram um acordo, em vista da retirada total das forças curdas da zona e do controle comum de uma parte da fronteira sírio-turca.

Este pacto significa a derrota das Forças Democráticas Sírias (FDS), cuja espinha dorsal é a milícia curda das Unidades de Proteção do Povo (YPG). Esta última ajudou a coalizão internacional liderada por Washington a combater os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Segundo o acordo russo-turco, descrito como “histórico” por Erdogan, as YPG devem se retirar com todas as suas armas dentro de um período de “150 horas, a partir das 12h (6h de Brasília) de 23 de outubro”, para além de 30 quilômetros da fronteira entre Turquia e Síria.

– “Matar e expulsar os curdos” –

Nesta quarta-feira, o clima era de raiva e de desespero em Qamichli, uma cidade fronteiriça no extremo norte da Síria, considerada a capital de fato dos curdos sírios.

Este local foi excluído da “zona de segurança” do acordo de Sochi.

Centenas de moradores se reuniram na parte da manhã para gritar palavras de ordem contra o governo turco, constataram jornalistas da AFP.

Na cidade, existem milhares de civis, muitos deles deslocados, e a situação que prevalece é muito precária.

Para muitos, o objetivo da Turquia é matar, expulsar os curdos e tê-los sob sua ocupação.

O presidente turco advertiu nesta quarta-feira (23) que tomará “todas as medidas necessárias”, se o acordo de retirada das YPG não for respeitado.

A Turquia interrompeu sua ofensiva, após um acordo com os Estados Unidos que previa a retirada das YPG. Erdogan chegou a outro acordo com Putin na terça, segundo o qual Moscou deve facilitar a retirada dos curdos de outras áreas da fronteira turca, entre o Eufrates e o Iraque.

Ao mesmo tempo, as forças sírias também se dirigem para a área de fronteira, a pedido dos curdos.

Ancara disse que conta com Moscou para implementar o acordo de Sochi, já que não tem “total confiança” no governo Bashar al-Assad. O texto prevê que russos e sírios trabalhem juntos “para facilitar a partida” de todos os combatentes das YPG.

A Turquia, que apoia grupos rebeldes que se opõem a Assad, teme que Damasco permita que as forças curdas permaneçam em algumas áreas.