Política

Fogo no Borba Gato em SP acirra a disputa política

Cerca de 20 pessoas atearam fogo em pneus na base da estátua do bandeirante Borba Gato, na zona sul de São Paulo, no inicio da tarde deste sábado. De acordo com a Polícia Militar, o monumento foi danificado e ninguém foi detido. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi enviada ao local às 14 horas e o fogo foi extinto rapidamente. Não houve registros de feridos ou qualquer outro incidente. O ataque, no entanto, se tornou rapidamente alvo de disputa ideológica em discussões nas redes sociais.

Um grupo chamado Revolução Periférica publicou fotos e vídeo da estátua em chamas. Apesar de não assumirem a autoria, em uma das imagens é possível ver os pneus já incendiados e uma faixa com o nome do grupo e a frase: “A favela vai descer e não será Carnaval”.

Enquanto expoentes da esquerda manifestaram apoio, grupos na direita retrataram o caso como terrorismo. O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) classificou o ato contra a estátua como “ação simbólica importante”. Já o advogado Arthur Weintraub, ex-assessor da Presidência da República, disse que tratava-se de uma ação “terrorista” para “apagar nossa história, e criar o caos”.

O ataque remete a uma onda de protestos contra monumentos a figuras históricas ligadas ao colonialismo e à escravidão, que ganhou força nos Estados Unidos e na Europa em 2020. Diferentes estátuas de Cristóvão Colombo, considerado o descobridor do continente americano, foram depredadas em cidades americanas durante as manifestações antirracistas de 2020. Em Bristol, na Inglaterra, manifestantes jogaram no rio uma escultura do traficante de escravos Edward Colston.



Historicamente, a derrubada de estátuas não é um ato praticado apenas por grupos de esquerda. Isso ocorreu tanto nas manifestações de 2014 na Ucrânia, quando esculturas de Vladimir Lenin foram derrubadas, quanto em 2003 com uma estátua de Saddam Hussein em Kerbala, no Iraque, derrubada pelo exército americano.

Borba Gato foi um bandeirante paulista que no século 18 caçou indígenas e negros. Atualmente, a condição de símbolos desses pioneiros da interiorização do País é questionada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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