Economia

FMI: dados de poluição da China sinalizam reativação econômica

FMI: dados de poluição da China sinalizam reativação econômica

Grupo de trabalhadores em uma fábrica na China trabalham com proteções de segurança em Wenzhou, em 28 de fevereiro de 2020 - AFP


A recessão global devido ao coronavírus será pior do que a crise em 2009, mas há indicações preliminares de uma reativação na China, incluindo um aumento na contaminação, disseram economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) na segunda-feira.

“A pandemia do COVID-19 levou o mundo a uma recessão”, alertaram os autores de uma publicação do FMI envolvendo A economista-chefe da agência, Gita Gopinath.

Economistas do Fundo apontam que este momento difícil será pior do que a crise financeira global da década passada.

Especialistas alertaram que o dano econômico está crescendo em todos os países, em sintonia com o aumento acentuado de novos casos e as medidas restritivas para conter a infecção imposta pelos governos, que restringem a atividade econômica.

De acordo com um balanço elaborado pela AFP nesta segunda-feira, 70.000 pessoas em todo o mundo morreram desde que o vírus foi detectado em dezembro.

Desde o início da pandemia de doenças respiratórias, existem mais de 1.277.580 casos confirmados em 191 países ou territórios, um número que pode ocultar mais contágios não diagnosticados.

A China – a segunda economia mundial e epicentro da pandemia – foi o primeiro país a ter sua atividade afetada, quando as autoridades decretaram restrições e confinamentos para tentar impedir o avanço da doença.

Segundo dados da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, na China houve 82.660 casos e 3.335 mortes.

A China registrou uma leve recuperação em seus índices industriais em março e as imagens de satélite mostram uma concentração crescente de dióxido de nitrogênio, uma indicação de uma recuperação na atividade industrial e nos transportes, dizem especialistas da entidade multilateral.

– Contração no Brasil, na Colômbia e no México –

Em relação à recuperação da atividade industrial nos países emergentes, o FMI destaca que na China há uma convalescença modesta em março e fevereiro. Por outro lado, nos demais países emergentes, a atividade em março caiu em relação a fevereiro.

Nos países latino-americanos acima mencionados – Brasil, Colômbia e México – essa tendência de contração é notável em março, embora o FMI não tenha dado números.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial caiu 0,4% em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado e, nos dois primeiros meses do ano, acumulou queda de 0,6%. O governo mexicano anunciou na semana passada que espera uma crise econômica “transitória” da epidemia.

“As pertubações pelo vírus estão começando a repercutir nos mercados emergentes”, disseram os economistas do FMI.

Especialistas indicaram que pesquisas com gerentes de compras da empresa indicam uma desaceleração acentuada na atividade industrial em muitos países. Esse fenômeno reflete uma queda na demanda externa e uma expectativa crescente de que uma queda na demanda doméstica se materialize.

“A recuperação na China – embora limitada – é encorajadora e sugere que medidas de contenção podem ser bem-sucedidas no controle da epidemia e abrir caminho para a retomada da atividade econômica”, afirmou o relatório.

O relatório do FMI alerta para uma “grande incerteza” sobre o futuro do desenvolvimento da pandemia, observando que a possibilidade de uma recuperação na China ou em outros países “não pode ser descartada”.

– EUA abalados –

Economistas alertaram que a pandemia já está afetando os Estados Unidos com velocidade e resistência sem precedentes.

Nos Estados Unidos – a principal economia do mundo com mais de 9.000 mortes por coronavírus – os últimos indicadores de emprego divulgados na semana passada mostraram números alarmantes, com uma perda de 701.000 empregos em março.

Na quinta-feira passada, o relatório semanal de pedidos de seguro-desemprego estabeleceu um novo recorde com 6,6 milhões de pedidos, em um momento em que as restrições estão começando a se generalizar no país para conter a doença.

Os Estados Unidos são o país do mundo com a maior taxa de casos confirmados no mundo e o número de mortos está aumentando rapidamente.