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Filho do comandante Massud está disposto a disputar Presidência do Afeganistão

Filho do comandante Massud está disposto a disputar Presidência do Afeganistão

Ahmad Masud, filho do comandante afegão Ahmad Shah Masud, em Paris, em 22 de março de 2021 - AFP

Diante da grave crise política e militar no Afeganistão, o filho do lendário comandante Ahmad Shah Massud disse à AFP que estaria disposto a participar das eleições presidenciais, porém, sob certas condições.

Essas eleições teriam que ser organizadas por um “governo interino” e não pelo de Ashraf Ghani, afirmou Ahmad Massud, de 31 anos, em entrevista à AFP em Paris, onde participará da inauguração de um jardim no sábado em nome do carismático comandante da etnia tadjique.

Segundo informaram fontes do governo nesta quarta-feira (24), o presidente afegão, Ashraf Ghani, planeja propor eleições presidenciais dentro de seis meses, uma hipótese que o Talibã rejeitou de imediato.

O comandante Massud, que ganhou o apelido de “Leão de Panjshir”, liderou a resistência no Afeganistão contra os ocupantes soviéticos na década de 1980 e depois contra os talibãs quando governavam o Afeganistão entre 1996 e 2001.



Ele foi assassinado pela Al Qaeda dois dias antes dos ataques de 11 de setembro de 2001, que levaram os Estados Unidos a lançar uma enorme operação militar no Afeganistão, expulsando o Talibã do poder.

Ahmad Massud Jr. – que passou vários anos exilado no Irã com sua mãe e cinco irmãs após a morte de seu pai e depois foi para a Inglaterra para estudar – gosta de citar o poeta persa Saadi e falar sobre a felicidade que sente ao observar a Via Láctea na província afegã de Panjshir.

Mas seu rosto se fecha quando fala do sofrimento em seu país, onde a violência se intensificou apesar do início das negociações de paz entre o governo e os talibãs em Doha, em setembro.

– Negociações de Doha: “um erro” –

A autoridade do atual governo está sendo questionada em mais da metade do país e são cada vez mais frequentes os assassinatos de jornalistas, juízes, médicos, personalidades políticas e religiosas e ativistas dos direitos humanos.

“Desde o início, eu estava convencido de que as negociações em Doha foram um erro completo (…) e que não levariam a um acordo político. Não podemos aceitar negociações políticas enquanto há combates”, diz ele.

“Essas negociações de paz, as risadas, os abraços e os apertos de mão entre os representantes americanos e talibãs não significam a paz para o Afeganistão”, acrescenta.

Na semana passada, os mediadores do conflito afegão urgiram o Talibã a abandonar sua ofensiva da primavera, após diálogos em Moscou em meio a um crescente esforço para alcançar a paz antes de uma possível retirada das tropas dos EUA do país.

O encontro em Moscou entre os enviados de Cabul e o Talibã, que contou com a presença de representantes russos, chineses, paquistaneses e americanos, ocorreu antes do prazo final de 1º de maio para que Washington retire suas tropas do Afeganistão.

A Turquia está prevista para sediar as negociações de paz no Afeganistão no próximo mês. Para Massud, essas iniciativas das “potências regionais são bem-vindas”.

– “As pessoas estão se organizando” –

Massud diz que as pessoas no Afeganistão “estão se organizando porque estão muito preocupadas com as decisões precipitadas que os Estados Unidos, nosso parceiro estratégico, estão tomando em relação ao processo de paz”.

“Estou muito preocupado e espero que o Talibã tenha a decência de respeitar qualquer acordo político e de paz” e a realização de eleições, afirma ele.

“Mas se pensam que o Afeganistão não mudou em 20 anos, se acreditam que hoje não existe Ahmad Shah Massud nem a Aliança do Norte (liderada pelo comandante Massud até 2001), então eu lhes digo: existe Ahmad Massud e meu povo já está se organizando e se preparando”, ressalta.

Ahmad Massud vive desde seu retorno ao país em 2016 entre o vale de Panjshir, local onde ele e sua família nasceram, e Cabul, apesar das ameaças a sua segurança.

Com um “pakol”, tradicional gorro de lã, um olhar cintilante, um sorriso franco e a barba curta, a semelhança entre ele e o pai é marcante.

“O legado do meu pai está diante de vocês: vinte anos depois, um país como a França aprecia e recorda suas ações e sua luta. Seu legado, que cruzou as fronteiras afegãs, estará sempre vivo enquanto a liberdade, a humanidade e a justiça estiverem vivas”, declara.

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