Negócios

Fiat e GM em momento luta livre

Marca Americana acusa rival de espionagem. Italianos reclamam de difamação. Duas das maiores montadoras do mundo travam batalha jurídica que pode afetar fusão de europeus com a PSA.

Crédito: Jewel Samad I Bill Pugliano

DUELO DE GIGANTES FCA, presidida por Michael Manley (esq.), em guerra aberta com a GM, comandada por Mary Barra. Luta nos tribunais definirá o quarto posto global na indústria automotiva. (Crédito: Jewel Samad I Bill Pugliano)

Duas das maiores montadoras de automóveis do mundo travam uma batalha que dura anos e ganhou novo capítulo nesta semana. Após a acusação feita pela General Motors (presidida por Mary Barra) de que a Fiat Chrysler Automobiles-FCA (comandada por Michael Manley) contratou um espião para atuar no conselho de administração da americana, a concorrente ítalo-americana respondeu dizendo que “a reclamação é o mais recente exemplo de até onde ela (GM) está preparada para ir”. Para a Fiat, que está em processo de fusão com a Peugeot Citroën (PSA), as acusações são infundadas e tratam de “tentativas de manchar a reputação da FCA”.

,A batalha entre as gigantes do mercado automobilístico tem um longo histórico. Em 2000, a General Motors e a Fiat acordaram que a americana deteria 20% das ações da montadora italiana. Esse acordo incluía uma junção das áreas de compra e de produção de motores. Três anos depois e diante de um processo de reestruturação da Fiat, que enfrentava uma crise e acumulava dívida de US$ 10 bilhões, as duas empresas começaram a se desentender. A união chegou ao fim no início de 2005, com a devolução das ações e o pagamento de quase US$ 2 bilhões à Fiat. O dinheiro ajudou a italiana a se reerguer. Nove anos depois, a companhia comprou a também americana Chrysler, criando o Grupo FCA.

No final de 2019, as disputas saíram do salão do automóvel. A General Motors abriu um processo contra a Fiat Chrysler, acusando a rival de subornar representantes do sindicato da indústria do automóvel (United Auto Workers) dos Estados Unidos, com o objetivo de encarecer salários na GM e conseguir melhores acordos dentro da FCA. As acusações aconteceram depois que ex-executivos da FCA admitiram culpa em uma investigação federal sobre um programa de treinamento de empregados, manchando a imagem da então poderosa central sindical. Ainda assim, em julho, o juiz Paul Borman, de Detroit, rejeitou as alegações da montadora americana, dizendo que se houve prejudicados estes foram os trabalhadores da Fiat. Na primeira semana de agosto, a GM requisitou ao mesmo juiz Borman que reabrisse o caso, afirmando ter novas informações. Na segunda-feira (10), os advogados da FCA documentaram um pedido de rejeição à nova demanda da rival – e compararam o novo pedido da GM a um “filme de espionagem de terceira categoria, cheio de alegações absurdas.”

A abertura do processo durante as negociações de fusão da Fiat Chrysler com a francesa PSA não parece coincidência para a montadora ítalo-americana, que afirmou ver interesse da GM em interferir nos processos de negociação. Em resposta à DINHEIRO, a General Motors afirmou que “novos fatos sobre o dano direto que a FCA causou à GM vieram à tona e são detalhados em nossa queixa de extorsão”. Entretanto, a empresa não quis esclarecer quais seriam esses fatos. A fusão envolverá 13 marcas. A PSA participa com Citroën, DS, Opel/Vauxhall e Peugeot. Já a FCA entra com Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Dodge, Fiat, Jeep, Lancia, Maserati e Ram. A Ferrari fica de fora da fusão, que será comandada pelo CEO da PSA, o português Carlos Tavares, e terá o ítalo-americano John Elkann, da FCA, como presidente do conselho formado por 11 membros.

UNIÃO EUROPEIA O nome para o conglomerado FCA-PSA já foi escolhido: Stellantis, que significa “iluminar com estrelas”. Mas, além da crise com a GM, há outro problema pela frente no mercado europeu. Segundo a Associação Europeia de Fabricantes Automotivos, a produção somada de FCA e PSA totalizou 34% do mercado em 2019, contrariando normas regulatórias da Europa. Atualmente, a FCA é a oitava maior produtora global e a PSA, a nona. Juntas, se transformariam no quarto maior grupo automotivo, at rás apenas do grupo Volkswagen, da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi e da Toyota – desbancando do quarto posto justamente a GM. A tarefa de convencer União Europeia de que essa fusão não vai virar concentração do mercado será decisiva para o destino do negócio. Se o roteiro deste imbroglio é de terceira categoria ou não, como afirmaram os advogados da Fiat para frear os desejos jurídicos da GM, não há resposta. Mas de que a trama é pura adrenalina e espionagem, não há dúvida.

“[AS ACUSAÇÕES] são tentativas de manchar a reputação da fca. Um filme de espionagem de terceira categoria, com alegações absurdas” Resposta da FCA e advogados a GM.

Veja também

+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA
+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos
+MasterChef: competidora lava louça durante prova do 12º episódio’
+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil
+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados
+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020
+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea
+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?