Economia

FGV espera inflação de 0,50% pelo IPC-S no fechamento de junho



A desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) entre abril e maio (1,08% para 0,50%) mostra um alívio da inflação em torno de um nível ainda elevado, afirma o coordenador do indicador na Fundação Getulio Vargas (FGV), Paulo Picchetti. A projeção para junho é de que o índice repita a taxa de 0,50%.

O IPC-S de maio ficou em linha com a mediana de dez estimativas do mercado coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,50%, em um intervalo de 0,37% a 0,60%. No acumulado de 12 meses, o IPC-S arrefeceu de uma alta de 10,61% em abril para elevação de 10,28% em maio, acima da estimativa intermediária do levantamento (10,23%).

“Chama atenção que esse número de maio foi quase metade de abril, mas com um impacto negativo de 0,42 ponto porcentual da deflação de energia elétrica, por causa da mudança de bandeira”, pondera Picchetti. “De um lado, esse fator que ajudou o número vai acabar, mas temos três setores importantes no índice que estão caminhando para compensar isso em junho.”

Responsável pela maior pressão para cima sobre o IPC-S, a passagem aérea – que passou 17,97% na terceira quadrissemana para 16,33% no fim do mês – desacelera a cerca de 13,0% na ponta do índice. Os combustíveis (1,70% para 1,29%) também devem contribuir negativamente em junho: a gasolina (0,97% para 0,91%) e o etanol (7,40% para 3,09%) arrefecem a 0,0% e -6,0% na ponta, respectivamente.




O grupo Alimentação (0,76% para 0,45%) também mostra sinais de arrefecimento na ponta. Segundo Picchetti, apesar de alguma pressão para cima em frutas e laticínios, a forte queda dos preços de hortaliças e legumes em maio (-9,30%) – e as pontas dos principais itens que compõem o agregado, cenoura, batata e tomate – indicam continuidade das pressões para baixo em junho.

Qualitativo

Embora considere o alívio da inflação positivo, Picchetti alerta que os números ainda mostram taxas que cedem em torno de um nível elevado. O índice de difusão do IPC-S, que mede a proporção de subitens do índice com aumento dos preços – desacelerou de 76,77% na terceira quadrissemana para 74,84% no fechamento de maio, ainda bem acima da média histórica para o mês.


O núcleo do IPC-S desacelerou de 0,93% em abril para 0,84% em maio, também sinalizando um arrefecimento da inflação menor do que o sugerido pelo índice cheio. “Olhando de outra perspectiva, apesar desse recuo mensal do núcleo, o acumulado em 12 meses subiu de 6,73% para 7,19%”, diz Picchetti.

O economista manteve a projeção de alta de 6,80% para o índice em 2022.