Investidores

Festa na bolsa

Um ano após o afastamento de Dilma Rousseff, as ações bateram recordes de valorização. Isso vai continuar?

Parecia final da Copa do Mundo, com quase todos os brasileiros com olhares cravados em seus aparelhos de televisão. Mas o que estava em disputa naquela tarde do domingo, dia 17 de abril de 2016, era a permanência, ou não, de Dilma Rousseff na Presidência da República. Sua saída, comemorada pela vasta maioria dos parlamentares e por boa parte dos eleitores, trouxe não apenas uma reviravolta política.



Também reverteu o destino dos ativos financeiros. Dólar e juros caíram, e as ações subiram: um ano depois, apesar de eventuais solavancos como a eleição de Donald Trump e a operação Carne Fraca, é possível mostrar a reviravolta em poucos números.

Vale do Rio Doce: alta de 92% das ações puxou avanço de 162% nos papéis da Bradespar
Vale do Rio Doce: alta de 92% das ações puxou avanço de 162% nos papéis da Bradespar (Crédito:Divulgação)

O Índice Bovespa acumula uma valorização superior a 21%. A taxa Selic prevista para o fim de 2017 recuou de 12,25% ao ano para 8,5% ao ano. A inflação prevista, medida pelo IPCA, caiu de 5,95% para 4,09%, e o dólar previsto para dezembro deste ano baixou de R$ 4,10 para R$ 3,23. Agora, a pergunta de alguns bilhões de reais é: esse movimento já se esgotou? Ou ainda é possível surfar numa alta das ações, turbinada pelas mudanças na economia e na política? A resposta depende de uma breve análise. Uma ação pode subir por dois motivos. O mais comum são as expectativas – o mercado costuma antecipar os fatos e compra.

Eletrobras: percepção de menos dirigismo estatal no setor elétrico garantiu ganho de 120%
Eletrobras: percepção de menos dirigismo estatal no setor elétrico garantiu ganho de 120% (Crédito:Divulgação)

O menos comum, mas igualmente importante, é a melhora dos fundamentos da empresa. Se ela, por exemplo, vender mais ou ampliar suas margens de lucro. Segundo um levantamento da empresa de dados Economatica, realizado especialmente para a DINHEIRO, esse não é o caso, pelo menos não no ano passado. A pesquisa analisou as ações do Índice Bovespa e comparou a oscilação de suas cotações e a variação de seus resultados. O lucro, aqui, não é medido em termos absolutos, mas sim em relação ao indicador que interessa ao acionista: a rentabilidade patrimonial da empresa.

Dos 58 papéis que compõe o índice, 32 ações, mais da metade, superaram a valorização da média do mercado. No entanto, a fatia das empresas que apresentou melhora nos resultados financeiros é bem menor. Das 56 que apresentaram resultados referentes a 2016, apenas 22 lucraram mais no ano passado do que em 2015. (veja quadro abaixo). “A alta dos preços não foi acompanhada por uma alta dos lucros”, diz Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Nova Futura. “Os resultados que estão saindo referentes ao primeiro trimestre de 2017 são bem melhores do que os de 2016, mas não podemos nos esquecer que a base de comparação é baixa”, diz o economista.



Petrobras: alta de 48%, com convicção do mercado de redução da alavancagem e melhora da governança
Petrobras: alta de 48%, com convicção do mercado de redução da alavancagem e melhora da governança (Crédito:Divulgação)

Traduzindo, a alta foi mais motivada por expectativas do que por uma retomada efetiva dos resultados das empresas. Dentre as altas mais expressivas, estão a da Bradespar, que subiu 162% devido ao ganho de 92% nas ações da Vale. A mineradora ganhou com a alta dos preços do minério e a retomada das compras chinesas. Outras ações que subiram foram as de empresas estatais. Eletrobras avançou 120% devido aos ganhos de gestão e à percepção de uma correção de rota, após a ingerência de Dilma no setor. E, mesmo subindo menos que as líderes, a Petrobras conseguiu avançar 48% devido à convicção do mercado de que o processo de desalavancagem financeira e melhoria da governança corporativa na estatal são para valer.

Há, porém, um risco, o sempre imponderável cenário político. O economista Samuel Pessôa, da Fundação Getúlio Vargas, avalia que o mercado financeiro está embutindo nos preços dos ativos a vitória, em 2018, de um candidato alinhado com a continuidade da agenda de reformas. Se isso não se confirmar, disse ele, os ativos brasileiros devem apresentar uma nova rodada de deterioração, como a que ocorreu nos últimos meses do mandato de Dilma Rousseff. Pessôa diz não descartar, nesse caso, a possibilidade de o dólar voltar ao patamar de R$ 4,00 e de o Banco Central (BC) ter de interromper a redução dos juros. Para mitigar esse risco sem perder a chance de participar da festa das ações, Silveira, da Nova Futuro, recomenda investir em papéis de alta liquidez. “Será mais fácil liquidar as posições se houver um problema”, diz ele.

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