Edição nº 1113 22.03 Ver ediçõs anteriores

Féminalise é um concurso de vinhos apenas com juradas

Féminalise é um concurso de vinhos apenas com juradas

Nesta série de artigos sobre histórias de mulheres no mundo do vinho, a personagem de hoje não é uma mulher, mas um concurso: o Féminalise. O evento, que chega a sua 12ª edição, no próximo dia 5 de abril, em Paris, França, terá 600 mulheres juradas, de 23 nacionalidades diferentes. Elas vão avaliar mais de 4.500 vinhos, elaborados em 12 países.

Ao contrário do que se possa imaginar, ao menos em um primeiro momento, o Féminalise foi criado por um homem: Didier Martin, com mais de 30 anos de atuação no mundo do vinho. Ele teve a ideia do concurso 22 anos atrás, ao observar a maneira como homens e mulheres provavam e compravam os vinhos, como ele conta na entrevista abaixo.

A primeira edição do Féminalise ocorreu em 2007. Em 2015, o concurso tornou-se mundial. Na metodologia de Martin, cada amostra é provada às cegas, por três mulheres, sentadas em distantes uma da outra. Isso impede que qualquer comentário venha a influenciar na nota. Para cada vinho, elas preenchem uma ficha de avaliação, com 39 pontos. A seguir, a entrevista com Martin, feita por e-mail.

Como surgiu a ideia de criar um concurso de vinhos apenas com juradas?
Duas razões me levaram a criação do concurso. A primeira é que eu adoro as mulheres. A segunda é que quando eu trabalhava na venda de vinhos de uma vinícola bem famosa, percebi que de cada dez casais que entrava na loja, em oito deles eram as mulheres quem tinham a palavra final na escolha do vinho. Assim, 22 anos atrás, eu tive a ideia de criar um concurso de vinho com as mulheres. Mas tive de esperar alguns anos para viabilizar este projeto porque o custo de organizar um concurso como este é muito alto.

Como você define a maneira das mulheres avaliarem um vinho, comparado com os homens?
As mulheres procuram a qualidade no vinho, enquanto os homens buscam o padrão (o que é esperado). Nas degustações, as mulheres são mais rápidas, eficientes e diretas, comparada com os homens. Elas procuram a qualidade, acima de tudo.

É possível destacar os aromas e sabores que as mulheres gostam mais, comparado com um homem?
Não há vinhos femininos, por mais que os homens pensam que tem. As mulheres podem gostar de um vinho tinto bem potente e de um vinho doce.

Qual o impacto das mulheres na indústria do vinho?
Cada vez mais e mais mulheres escolhem seguir sua carreira na indústria do vinho. Em 2010, a proporção de mulheres que trabalhavam na vinícola era de 17%; em 2017, este número chegou a 50%. Além disso, 70% da compra de vinho no mundo são feitas por mulheres. Comprar vinhos é uma responsabilidade das mulheres em 70% das casas francesas. Nos Estados Unidos, 83% dos vinhos são comprados por mulheres, segundo pesquisa da US Wine Market Council – Ipsos/Baron de Rothschild.


Mais posts

As mulheres do Jerez

A Maestro Sierra é a mais conhecida pela liderança feminina, mas há várias mulheres em posição de destaque nestes vinhos espanhóis únicos

Marilisa Allegrini, a embaixadora dos vinhos do Vêneto

Da sexta geração da família produtora de vinhos italianos, ela demorou a entrar no mundo do vinho por achar que os irmãos assumiriam o [...]

Margareth Henriquez, uma mulher no mundo do champanhe

Presidente da Krug, ela trabalha para manter os ensinamentos do fundador da marca, de elaborar um produto com qualidade crescente

Emily Faulconer, a jovem enóloga que lidera a Viña Carmen

Ao assumir a vinícola chilena, no ano passado, houveram aqueles que a acharam muito jovem para este desafio

A argentina Paz Levinson fala sobre o trabalho das sommelières

Atualmente, Paz é a principal sommelier do Groupe Pic, com restaurantes na França, na Suíça e na Inglaterra e só tem elogios para a [...]
Ver mais
X

Copyright © 2019 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.