Edição nº 1121 17.05 Ver ediçõs anteriores

Féminalise é um concurso de vinhos apenas com juradas

Féminalise é um concurso de vinhos apenas com juradas

Nesta série de artigos sobre histórias de mulheres no mundo do vinho, a personagem de hoje não é uma mulher, mas um concurso: o Féminalise. O evento, que chega a sua 12ª edição, no próximo dia 5 de abril, em Paris, França, terá 600 mulheres juradas, de 23 nacionalidades diferentes. Elas vão avaliar mais de 4.500 vinhos, elaborados em 12 países.

Ao contrário do que se possa imaginar, ao menos em um primeiro momento, o Féminalise foi criado por um homem: Didier Martin, com mais de 30 anos de atuação no mundo do vinho. Ele teve a ideia do concurso 22 anos atrás, ao observar a maneira como homens e mulheres provavam e compravam os vinhos, como ele conta na entrevista abaixo.

A primeira edição do Féminalise ocorreu em 2007. Em 2015, o concurso tornou-se mundial. Na metodologia de Martin, cada amostra é provada às cegas, por três mulheres, sentadas em distantes uma da outra. Isso impede que qualquer comentário venha a influenciar na nota. Para cada vinho, elas preenchem uma ficha de avaliação, com 39 pontos. A seguir, a entrevista com Martin, feita por e-mail.

Como surgiu a ideia de criar um concurso de vinhos apenas com juradas?
Duas razões me levaram a criação do concurso. A primeira é que eu adoro as mulheres. A segunda é que quando eu trabalhava na venda de vinhos de uma vinícola bem famosa, percebi que de cada dez casais que entrava na loja, em oito deles eram as mulheres quem tinham a palavra final na escolha do vinho. Assim, 22 anos atrás, eu tive a ideia de criar um concurso de vinho com as mulheres. Mas tive de esperar alguns anos para viabilizar este projeto porque o custo de organizar um concurso como este é muito alto.

Como você define a maneira das mulheres avaliarem um vinho, comparado com os homens?
As mulheres procuram a qualidade no vinho, enquanto os homens buscam o padrão (o que é esperado). Nas degustações, as mulheres são mais rápidas, eficientes e diretas, comparada com os homens. Elas procuram a qualidade, acima de tudo.

É possível destacar os aromas e sabores que as mulheres gostam mais, comparado com um homem?
Não há vinhos femininos, por mais que os homens pensam que tem. As mulheres podem gostar de um vinho tinto bem potente e de um vinho doce.

Qual o impacto das mulheres na indústria do vinho?
Cada vez mais e mais mulheres escolhem seguir sua carreira na indústria do vinho. Em 2010, a proporção de mulheres que trabalhavam na vinícola era de 17%; em 2017, este número chegou a 50%. Além disso, 70% da compra de vinho no mundo são feitas por mulheres. Comprar vinhos é uma responsabilidade das mulheres em 70% das casas francesas. Nos Estados Unidos, 83% dos vinhos são comprados por mulheres, segundo pesquisa da US Wine Market Council – Ipsos/Baron de Rothschild.


Mais posts

A importância crescente do enoturismo

A francesa Alice Tourbier, do Les Sources de Caudalie, é o principal destaque do Invino Wine Travel Summit, que acontece nesta [...]

Brasil e Chile fazem acordo de equivalência para produtos orgânicos

Os dois países vão reconhecer a certificação válida no país de origem

Por que a Salton é a marca número 1 de vinho do Brasil?

Pesquisa da inglesa Wine Intelligence aponta que a vinícola é a marca de vinhos mais forte no País

Mulheres e vinho: a presença crescente das sommelières no Brasil

Annas, Gabrielas, Jô, Marias, Julianas são exemplos de mulheres que estão escrevendo a história do serviço do vinho em nosso país

Viviana Navarrete e os desafios das mulheres nas vinícolas chilenas

Principal enóloga da Viña Leyda, ela conta como venceu os desafios para chegar à liderança após muito trabalho, dedicação e perseverança,
Ver mais

Copyright © 2019 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.