Finanças

Fed adiciona pressão e taxas futuras fecham em alta firme

Os juros futuros fecharam em alta a sessão desta quarta-feira, 13, tendo renovado máximas a partir do desfecho da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve, que fortaleceu o dólar e acelerou o avanço do rendimento dos Treasuries – o yield da T-Note de dez anos chegou a superar 3% nas máximas.

O comunicado, as mudanças no gráfico de pontos e a entrevista do presidente do Fed, Jerome Powell, deixaram uma mensagem “hawkish” aos mercados, confirmando a expectativa, que ainda não estava totalmente precificada, de que os fed funds subirão mais duas vezes este ano, totalizando quatro elevações em 2018. Na curva doméstica, o impacto maior foi visto nos vencimentos longos, mais sensíveis ao exterior, mas a ponta curta também avançou, na medida em que se aproxima a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), e a curva já voltava a precificar 100% de chance de alta de 0,25 ponto porcentual da Selic na semana que vem.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 subiu de 7,155% para 7,230% e a do DI para janeiro de 2020 encerrou a 8,88%, de 8,67% ontem no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2021 terminou em 9,94%, de 9,75%, e a do DI para janeiro de 2023 fechou em 11,35%, de 11,19%. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 11,80% para 11,86%.

A leitura dos eventos do Fed – comunicado, gráfico de pontos e entrevista de Powell – adicionou estresse às taxas, que já subiam desde cedo, mesmo com o dólar em baixa. Está claro para o mercado de que a pressão sobre o câmbio doméstico está sendo controlada artificialmente pela munição do Banco Central, que só hoje colocou US$ 4,5 bilhões em dinheiro novo via contratos de swap, o que permitiu que o dólar fechasse praticamente estável, a R$ 3,7155 (+0,03%).

“O mercado ficou sem norte para política monetária dadas as atuações no câmbio e Tesouro, que se refletem em prêmios elevadíssimos e precificação de ciclo de alta aparentemente exagerada na curva”, disse o trader da Quantitas Asset, Matheus Gallina.

Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, também destaca o excessivo volume de prêmio na curva, “mesmo com toda a intervenção que tem sido feita”, citando ainda o cenário eleitoral “perverso”. “A curva tem ido mal até no dia em que o dólar está mais fraco”, afirmou.

Nesta tarde, segundo cálculos do Haitong Banco de Investimentos, a curva precificava alta de 25 pontos-base para a Selic em junho, ou 100% de probabilidade de avanço da taxa básica para 6,75%.

Tópicos

taxas de juros