Edição nº 1096 15.11 Ver ediçõs anteriores

FCA lançará três crossovers Fiat, um novo SUV da Jeep e a picape RAM no Brasil

Presidente da Fiat Chrysler Automobiles fala sobre os investimentos da empresa no País até 2022. Globalmente, a FCA investirá 45 bilhões de euros no período

FCA lançará três crossovers Fiat, um novo SUV da Jeep e a picape RAM no Brasil

Acabou a moleza dos concorrentes. A marca Fiat, que perdeu muita participação de mercado nos últimos anos, voltará a crescer no Brasil. Sempre em dobradinha com a Jeep, a Fiat receberá as maiores atenções da matriz a partir de agora. A estratégia faz parte do plano global de investimentos da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) e foi anunciada no início de junho em Turim, na Itália. Hoje, durante um almoço com a imprensa, o presidente da FCA na América Latina, Antonio Filosa, falou mais sobre as estratégias para os mercados brasileiro e latino-americano.

Globalmente, a FCA investirá 45 bilhões de euros até 2022 e fará da Jeep a sua marca principal. Desse total, cerca de 9 bilhões serão destinados à eletrificação (e mais concentrada na linha Jeep). Segundo Filosa, o investimento na América Latina será de R$ 14 bilhões, mas, dessa vez, não haverá a necessidade de construir novas fábricas; apenas de torná-las mais digitalizadas. Ele se encontrou com a imprensa especializada entre duas reuniões com concessionários das rede Fiat e Jeep. Para o primeiro grupo, Filosa prometeu 15 lançamentos até 2022, entre novos produtos e renovação da linha atual da Fiat. Para a rede Jeep, ele sinalizou com 10 lançamentos nos próximos cinco anos.

A maioria dos lançamentos ocorrerá até 2020. Para a Fiat estão previstos três crossovers (SUVs com tração dianteira), sendo que o primeiro deles deverá ser lançado no primeiro semestre de 2019 e será derivado do Argo – seu principal concorrente será o Honda WR-V. O outro será um carro do porte do Uno, para combater diretamente o Renault Kwid, mas não tão pequeno. O terceiro será um carro maior, de sete lugares, oriundo de uma nova plataforma que está sendo feita para o Brasil e região. Seu porte será similar ao do Jeep Compass. Todos esses carros serão fabricados em Betim (MG).

Para a Jeep, haverá um SUV “o mais premium possível”, posicionado acima do Compass, produzido em Goiana (PE). Finalmente, um antigo desejo do consumidor brasileiro, a picape RAM, será comercializada no Brasil numa versão mais acessível, a 1500, do porte das picapes médias Chevrolet S10 e Toyota Hilux. Esse carro será importado do México e manterá a marca RAM no Brasil.

A nova Fiat, mais brasileira

De certa forma, a FCA abriu mão da marca Fiat globalmente. O presidente da empresa, Sergio Marchione, declarou que “não há mais espaço para a Fiat na Europa”. Porém, a força e a tradição da marca no Brasil não serão desperdiçadas – muito pelo contrário, a ideia é fortalecê-la. “Para essa geração millenium, vamos trazer um smartphone com quatro rodas, motor, câmbio e que anda”, disse Filosa. Os milleniuns são pessoas nascidas em meados da década de 1980 e têm hábitos bem diferentes das pessoas das gerações anteriores em relação aos carros.

É exagero afirmar que a Fiat desaparecerá na Itália, mas mesmo em sua pátria-mãe a marca ficará concentrada na produção de carros de nicho para exportar para os EUA, por exemplo, como toda a linha 500. Já no Brasil a atenção à Fiat será total. Além dos três veículos urbanos familiares, a Fiat lançará uma nova geração da picape Strada para manter a liderança no segmento de comerciais leves, junto com a picape Toro e o furgão Fiorino. A Fiat voltou a ter plena dedicação da FCA porque o objetivo é voltar à liderança do mercado brasileiro em 2018. Filosa garante que isso irá acontecer. Em 2017, a FCA perdeu a liderança para a GM, que só tem a marca Chevrolet no Brasil.

Novos motores e mais câmbio automático

Segundo Filosa, 90% do investimento na América Latina serão em novos produtos. Mesmo assim, ele disse os carros da Fiat receberão uma nova família de motores, em substituição à família E.torQ. O famigerado câmbio automatizado GSR, de embreagem simples, deverá dar lugar a novas transmissões automáticas de verdade. Com isso, a percepção de valor dos carros da Fiat aumentará bastante – e a ideia é deixá-los num patamar elevado de preços, pois aquela Fiat dos carros populares e baratinhos não existe mais. Finalmente, os motores da Fiat também entrarão na era turbo, para ficarem mais eficientes, como já ocorre com a Volkswagen, por exemplo.

A FCA também aproveitará o programa Rota 2030, que deverá ser implementado ainda no governo Temer, para investir em motores mais ecológicos. Filosa acredita que o etanol brasileiro permite enormes possibilidades de aproveitamento e projeta carros flex quase tão ecológicos quanto os híbridos para o mercado local. Não há previsão de que a tecnologia do etanol seja aproveitada em outros países. Com todas essas modificações, a FCA manterá a estratégia de SUVs 4×4 para a Jeep e posicionará a Fiat cada vez na faixa de “produtos com maior tíquete médio”, segundo Filosa. Ou seja: mais equipados e, portanto, mais caros.


Mais posts

Onix e Compass já têm mais vendas diretas do que as picapes

As vendas de automóveis no Brasil estão mudando com uma velocidade sem precedentes. Não apenas os tipos de carros são outros, mas [...]

Yaris chega competitivo e completa a estratégia da Toyota

O novo compacto premium da marca japonesa começa a ser produzido em Sorocaba e fica posicionado entre o Etios e o Corolla

Gol desaba na Argentina, mas Volkswagen ainda é líder

Crise econômica no governo Macri afeta as vendas do carro mais vendido do nosso vizinho sul-americano

Quando o carro mata, a culpa pode ser nossa

Nem sempre o veículo, a estrada ou a sinalização das ruas são os responsáveis pelos acidentes. Veja o que você pode fazer para dirigir [...]

Ford Mustang, um lançamento histórico que esperou 54 anos

Foi uma espera de mais de cinco décadas. Mas agora os consumidores brasileiros que dispõem de R$ 299.900 podem comprar o mito com motor [...]
Ver mais
X

Copyright © 2018 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.