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Faros quer ser 1º agente autônomo de investimento a abrir o capital no país

Crédito: Reprodução/Faros Investimentos

A Faros pode se tornar o primeiro escritório do segmento a realizar IPO no ano que vem (Crédito: Reprodução/Faros Investimentos)

Um dos maiores escritórios de agentes de investimento autônomos do País, a Faros está com o processo encaminhado para sua estreia em Bolsa de Valores. O plano da empresa é se tornar a primeira brasileira dessa área a fazer um IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês), no fim do próximo ano. Por trás da iniciativa está o crescimento do interesse dos investidores na diversificação de seus portfólios, em um cenário de juro real próximo a zero.

Além da iniciativa de abertura de capital, o movimento da Faros revela também mais uma estratégia na disputa das plataformas de investimentos para manter seus parceiros satisfeitos e evitar o assédio da concorrência. No caso específico da XP, com a qual a Faros mantém uma parceria há oito anos, essa briga foi marcada pela saída recente de seu maior escritório de agentes autônomos, o EQI, em direção ao BTG Pactual.

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Com R$ 10 bilhões em ativos sob custódia, a Faros tem 50 profissionais e escritórios no Rio de Janeiro e em São Paulo. O plano da companhia é ganhar musculatura e elevar para até R$ 25 bilhões o total de ativos sob gestão para justificar a abertura do capital.

Parece uma meta ambiciosa, mas a empresa tem conseguido multiplicar sua operação nos últimos anos. Fundada em 2011 por Felipe Bichara e Samy Botsman, a Faros chegou à plataforma da XP com uma carteira de R$ 350 milhões. A companhia tem se dedicado aos clientes de maior renda – com um valor disponível de R$ 4 milhões, em média, para investimentos.

Para levar adiante o plano, também será necessário que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) altere a regulação atual para os escritórios de agentes autônomos. “Estamos prontos em termos de governança, temos uma área de compliance (cumprimento da legislação) e gastado muita energia nesse desejo”, disse Bichara, sócio-fundador da Faros.

Segundo o executivo, a escolha entre a Bolsa brasileira e a norte-americana, que foi a opção de sua “mentora” XP, ainda não está feita. “Não descartamos ir lá fora, mas ainda há um dever de casa a ser feito por aqui. Essa escolha deverá vir num segundo momento.”

O principal gatilho para que a Faros chegue à Bolsa não está, entretanto, nas mãos dos executivos, mas sim nas do regulador. Estão previstas mudanças na atual norma que rege o trabalho dos agentes autônomos. Entre elas está a permissão para que os escritórios tenham sócios e investidores que não sejam, obrigatoriamente, agentes autônomos certificados.

Com essa etapa vencida, a Faros poderá servir de termômetro de mercado. Bichara disse que alguns de seus clientes já sinalizaram interesse em investir na Faros, assim como algumas instituições financeiras.

A restrição a sociedades está prevista na atual instrução 497 da CVM, que tem frustrado o ímpeto de investimento nesses escritórios. As alterações poderiam ter ocorrido em 2020, não fosse a pandemia, que atrasou a agenda da autarquia.

Sem amarras

O presidente da XP Inc., Guilherme Benchimol, admite que as plataformas precisam ajudar no negócio de seus parceiros. “Temos de nos adaptar aos anseios dos escritórios”, disse Benchimol. Para ele, a Faros deve incentivar outras casas de agentes autônomos a trilhar o mesmo caminho. Há dois outros escritórios de tamanho semelhante ao da Faros – Monte Bravo e Messem – ligados à XP.

Benchimol disse que o objetivo é seguir estimulando o mercado e democratizando os investimentos. Ele lembrou que não existe nada que proíba um escritório que o abril o capital de se transformar em uma corretora concorrente da XP.

O próprio Bichara não descarta uma transformação futura do negócio da Faros. “Muitos acreditam que o modelo final é ser uma corretora, mas estamos com uma vertente diferente de expansão de nosso negócio e acredito que, se quiséssemos seguir por este caminho, a XP buscaria entender nosso desejo”, disse.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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