Edição nº 1096 15.11 Ver ediçõs anteriores

“Falta sensibilidade social”

“Falta sensibilidade social”

Uma das candidatas que mais tem oscilado nas pesquisas eleitorais, Marina Silva, da Rede, tem se aconselhado com o economista Eduardo da Fonseca. Seu plano inclui a revisão da reforma trabalhista, uma nova proposta de reforma da previdência e a autonomia do Banco Central.

Como o sr. avalia a cenário político e econômico neste ano?
Posso dizer que, de modo geral, o Brasil é curioso. Vai sempre de um extremo ao outro. Alguns anos atrás, observamos um intervencionismo pesado durante o governo
de Dilma Rousseff, com apoio popular. Agora, há uma tendência em se adotar um fundamentalismo de mercado, com apoio popular.
Acho que falta sensibilidade social.

Essa oscilação é uma questão cultural?
Com certeza. Lancei o livro “O elogio do vira-lata e outros ensaios”, onde analiso a volatilidade da imaginação brasileira, que oscila entre os estados de confiança e euforia e de desengano em relação ao futuro. Hoje, se confunde o circunstancial da conjuntura com o permanente da cultura. O País enfrentou altos e baixos durante sua história, e sempre se recuperou.

Mas hoje há um radicalismo exagerado por parte do eleitorado, com defesa até de intervenção militar…
Esse radicalismo está representado por uma minoria. Isso ficou claro durante a greve dos caminhoneiros. Quem pede intervenção militar, a meu ver, é equivalente aos blackblocks, em 2013. É gente que não tem a menor noção do que está falando e do que está fazendo. Se eles tivessem vivendo sob um regime militar, não poderiam, inclusive, estar expressando suas opiniões. É um paradoxo.

(Nota publicada na Edição 1087 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Hugo Cilo, Moacir Drska e Pedro Borg)


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