Ciência

‘Fadiga do metal’, principal suspeita de falha de motor do avião da United Airlines

Crédito: AFP/Arquivos

Várias companhias aéreas deixaram seus Boeing 777 imobilizados após um incidente em um voo da United Airlines no Colorado (Crédito: AFP/Arquivos)

A “fadiga do metal” é agora a pista preferida das autoridades para explicar o incidente ocorrido no sábado em um voo da United Airlines nos Estados Unidos, que levou à imobilização de parte da frota mundial dos Boeing 777.

Um Boeing 777-220 da companhia aérea americana United Airlines que havia acabado de decolar no sábado de Denver (Colorado) para Honolulu (Havaí) com 231 passageiros e 10 tripulantes sofreu um incêndio na turbina direita e os pilotos precisaram realizar um retorno de emergência.

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O avião conseguiu dar a volta e pousar no aeroporto, mas peças metálicas da fuselagem caíram sobre uma área residencial dos subúrbios de Denver. Ninguém ficou ferido.

A fabricante americana de aviões recomendou na noite de domingo a suspensão de voos dos 128 aviões em todo o mundo equipados com um motor semelhante, e um porta-voz confirmou à AFP na segunda-feira que todos foram imobilizados.

Deles, 69 estavam em serviço, incluindo 24 da United Airlines, 13 da Japan Airlines (JAL), 19 da All Nippon Airways (ANA), 7 da Asiana e 6 da Korean Air. Os outros 59 estavam guardados separadamente.

– Análise preliminar –

Nos Estados Unidos, a Administração Federal de Aviação (FAA) ordenou inspeções adicionais nos Boeing 777 com motor Pratt & Whitney, e a Junta Nacional de Segurança no Transporte (NTSB) também está investigando o “incidente”.

“Uma análise preliminar no local indica danos compatíveis com uma fadiga do metal”, um processo de degeneração do material, afirmou na segunda-feira o presidente da NTSB, Robert Sumwalt, em coletiva de imprensa.

Ele também confirmou que duas lâminas de um compressor estavam danificadas. Uma delas foi encontrada em um campo de futebol, a outra ficou presa no motor.

Os funcionários da FAA se reuniram com representantes da Boeing e da Pratt & Whitney no domingo à noite. A fabricante de motores americana disse que estava cooperando com a NTSB e “continuará trabalhando para garantir o funcionamento seguro da frota”.

A United Airlines decidiu retirar a aeronave de seu programa de voos e continuará trabalhando em estreita colaboração com os reguladores para determinar os próximos passos.

O Reino Unido decidiu na segunda-feira fechar seu espaço aéreo aos Boeing 777. O Ministério do Transporte do Japão afirmou que também ordenou inspeções mais rigorosas do motor Pratt & Whitney depois que um 777 da Japan Airlines (JAL) que voava do aeroporto de Tóquio-Haneda para Naha na ilha de Okinawa apresentou problemas com “um motor da mesma família” em dezembro.

– Nova prova para a Boeing –

As ações da Boeing caíram mais de 2% na Bolsa segunda-feira. O incidente representa um novo contratempo para a fabricante de aviões, que acabou de se recuperar da crise do 737 MAX, seu avião principal que ficou paralisado em maio de 2019 após dois acidentes que deixaram 346 mortos.

Depois de quase dois anos de proibição, de uma modificação do software de controle de voo e da implementação de novos protocolos de treinamento de pilotos, o 737 MAX foi novamente autorizado a voar.

A Boeing também foi duramente atingida, assim como a sua rival Airbus, pela pandemia de covid-19 e suas desastrosas consequências no transporte aéreo internacional.

A crise sanitária provocou o cancelamento de centenas de pedidos de aviões.

As autoridades holandesas também anunciaram na segunda-feira a abertura de duas investigações após a queda dois dias antes de peças da fuselagem de um avião de carga Boeing 747-400, que feriram duas pessoas no sul do país.

Vários especialistas acreditam, no entanto, que o incidente do 777 nos Estados Unidos é mais um problema de manutenção ou de motor do que do design do avião por parte da Boeing.

Em serviço durante mais de 25 anos sem acidentes importantes, o dispositivo “tem uma reputação muito sólida”, destacou Michel Merluzeau, especialista da empresa AIR.

O problema atual “não tem nada a comparar” com a crise do Boeing 737 MAX, estimou também Richard Aboulafia, analista do Teal Group, especialista em aeronáutica.

“Depois de todos esses anos de serviço é pouco provável que se trate de um problema de design do motor”, estimou. “Definitivamente tem a ver com a manutenção”.

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