Ciência

Exposição a pesticidas aumenta risco de leucemia mieloide aguda, diz estudo

Exposição a pesticidas aumenta risco de leucemia mieloide aguda, diz estudo

Trabalhador aplica pesticida em plantação de melancia, na Indonésia - AFP

Um estudo francês, consultado nesta terça-feira (23) pela AFP, estabeleceu uma correlação entre o uso de pesticidas no âmbito profissional e o perigo de sofrer de leucemia mieloide aguda, a forma mais grave da doença para os adultos.

De acordo com este estudo publicado na Scientific Reports, quatro hematologistas de um hospital em Tours (região central da França) analisaram por dois anos dados científicos publicados em três grandes bancos de dados globais entre 1946 e 2020.

“A partir de uma pesquisa com palavras-chave, identificamos 7.000 referências, com as quais localizamos 190 artigos. Usando padrões científicos internacionais de análise, 14 desses estudos foram selecionados para serem analisados no âmbito de uma meta-análise com 4.000 pacientes e 10.000 (de grupo) controle”, explicou Olivier Hérault, diretor dos serviços de hematologia biológica do hospital de Tours.

“Encontramos uma correlação estatística entre a exposição a grande quantidade de agrotóxicos e o perigo de leucemia mieloide aguda. (…) É um risco relativo de 1,51, o que significa que, em comparação com a população não exposta a agrotóxicos, aumenta em 50% o risco de desenvolver esse tipo de leucemia”, ressaltou o cientista francês.



O estudo também determina que a correlação é “mais importante” entre inseticidas e doenças e menos no caso de herbicidas e fungicidas.

Além disso, estabelece que o perigo é maior na Ásia e nos Estados Unidos do que na Europa.

A pesquisa médica mostrou até agora uma ligação entre o uso de pesticidas em grandes quantidades e o desenvolvimento de condições “pré-leucêmicas”, mas não mostrou promover leucemia mieloide aguda, informou o hospital de Tours em um comunicado.

“Esses resultados adicionam um fator de risco para leucemias mieloides agudas que não havia sido demonstrado, mas se suspeitava”, acrescentou o Dr. Hérault, observando que o estudo reforça as “mensagens de prevenção” em relação ao uso de pesticidas.

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