Edição nº 1079 20.07 Ver ediçõs anteriores

Exportações de calçados crescem 9,3%, melhor resultado desde 2013

No período, foram embarcados 127,13 milhões de pares, que geraram uma receita de US$ 1,09 bilhão

Exportações de calçados crescem 9,3%, melhor resultado desde 2013

Graças a um pesado investimento em promoção comercial e de imagem, a indústria nacional de calçados conseguiu driblar as turbulências da economia e da volatilidade cambial, fechando 2017, com um crescimento de 9,3% em relação ao ano anterior. No período, foram embarcados 127,13 milhões de pares, que geraram uma receita de US$ 1,09 bilhão, o melhor resultado desde 2013, quando os embarques geraram um ingresso de US$ 1,095 bilhão.

Já o desempenho físico ficou apenas 1,2% acima do registrado em 2016, o que demonstra um encarecimento do produto brasileiro, especialmente, em função da desvalorização da moeda americana registrada ao longo do ano passado.

Para o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, os resultados poderiam ser ainda melhores não fosse a oscilação cambial. “Chegamos a ter um câmbio próximo a R$ 3,40 durante o ano, valor que caiu à casa de R$ 3,20”, afirmou Klein. “Evidentemente, essa oscilação teve reflexo no preço do nosso calçado, que ficou mais caro para o comprador estrangeiro.” Segundo ele, o calçado brasileiro começou 2017 sendo comercializado lá fora a um preço médio de US$ 7 e chegou a dezembro em torno de US$ 9.

Na visão do presidente da Abicalçados, o câmbio não pode ser encarado como um fator de competitividade, mas sim como uma espécie de compensação para as perdas ocasionadas pela estrutura de custos do setor. “Infelizmente, os nossos principais concorrentes estão muito à frente nos quesitos carga tributária, logística e custos de produção em geral, o que faz com que percamos competitividade”, afirma.

Klein define a atuação dos exportadores brasileiros em 2017 como nada menos que “heroica” em 2017, ao se concentrar na oferta de produtos de maior valor agregado, capazes de competir em qualidade, mais do que em preço. “Se o exportador tentar competir no preço, está com seus dias contados, pois os asiáticos são imbatíveis nesse departamento”, diz. “Por isso é importante fazermos a lição de casa, melhorar as condições de produtividade do portão para dentro da fábrica e esperar menos por mudanças econômicas e tributárias que, infelizmente, parecem distantes de ocorrer.”

Mais uma vez, o principal destino do calçado brasileiro foi os Estados Unidos, para onde foram embarcados 11,33 milhões de pares, no valor de US$ 190 milhões. Esse desempenho do mercado americano, no entanto, está longe de provocar comemorações, já que tanto em divisas, quanto em volume de pares exportados, representam uma queda em torno de 14,4% em relação a 2016.

A explicação é simples: como o mercado dos Estados Unidos é muito sensível ao preço, as exportações de calçados brasileiros se ressentiram da valorização da produção brasileira, abrindo espaço para os concorrentes da Ásia, de países como Vietnã, China e Indonésia, notadamente.

Comportamento oposto foi registrado na Argentina, segunda maior importadora do calçado nacional, com aumentos expressivos tanto em valor quanto em volume: os 11,57 milhões de pares exportados para a terra do presidente Maurício Macri representaram um crescimento de 22,1%, traduzido no ingresso de US$ 147 milhões em divisas, 31,7% a mais do que o registrado em 2016.

O Rio Grande do Sul continuou como o principal Estado exportador, responsável por vendas de US$ 451,8 milhões, equivalente a 41,4% do valor gerado com as exportações de calçados. Com um total de US$ 289 milhões, o Ceará ficou em segundo lugar do ranking, em termos de valor, e o primeiro em volume, com 50 milhões de pares.

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