Uma sobretaxa de 25% pode tornar impossível aos produtores nacionais seguir exportando aço para os EUA, diz Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da consultoria Barral MJorge. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Quais as consequências dessa sobretaxa ao aço anunciada pelos EUA?

Se a medida for de fato aplicada como anunciada, haverá um efeito grande sobre as exportações brasileiras de aço, porque os EUA são o nosso principal mercado. Provavelmente, vai tornar inviável boa parte das vendas para lá.

Mas o prejuízo não é igual para todos os exportadores, já que a sobretaxa será aplicada de forma geral?

É uma medida para favorecer o produtor norte-americano, porque dificulta a importação de aço. Alguns países, como a China, poderão continuar exportando para lá. O Brasil, não.

Há mais desdobramentos dessa medida?

Sim. Teremos um risco de prática de dumping (exportação a preços artificialmente baixos) de aço em outros mercados para onde o Brasil exporta e também no próprio mercado brasileiro. O problema da sobreoferta de aço no mundo, que vem desde depois da crise de 2009 e não se restringe aos EUA, vai se agravar. E há ainda o risco de começar uma guerra comercial.

Como?

Os países devem recorrer à OMC e eventualmente pedir retaliação contra os EUA.

O presidente dos EUA, Donald Trump, não parece preocupado com essa perspectiva.

Sim. Mas é típico de quem não sabe história. A crise de 1930 foi isso: os EUA adotaram tarifas altas e outros países retaliaram até que a bolsa de Nova York quebrou. Ao contrário do que ele declarou, em guerra comercial todo mundo perde.

O Brasil vai entrar na OMC contra essa medida?

O governo deve esperar para ver qual medida será aplicada de fato. Há uma movimentação muito grande de lobbies nos EUA tentando mitigá-la. A própria indústria local, usuária do aço, está pressionando.