Existe alguma bolha?

Existe alguma bolha?

Nos últimos dias, com insinuações recorrentes, analistas começaram a apontar que a extraordinária valorização das ações de companhias na bolsa brasileira e o vigor do
pregão estavam montados em uma possível bolha, talvez prestes a estourar. Como esse é um mercado bem suscetível a esse tipo de especulação – afinal é da natureza da
atividade vazar informações e desinformações para inflar lucros e perdas – muitos começaram a desconfiar ou a temer que isso fosse verdade. Aos fatos: não é de
hoje, a bolsa brasileira vive um despertar movido pelo interesse de mais e mais investidores, pequenos inclusive, que descobriram no mercado de capitais uma forma
mais rentável de aumentar suas respectivas poupanças. Investir em papéis de empresas está deixando de ser um bicho de sete cabeças. Até porque, as regras de compliance, boa governança e transparência vêm ajudando ao investidor a aplicar com segurança e têm trazido certa respeitabilidade para um negócio que no passado, por
aqui, estava quase restrito a apostadores aventureiros sem aversão a risco. Nos dias de hoje, a própria mudança na política de juros – que baixaram a níveis historicamente
recordes – contribuiu para a migração do dinheiro e aumento do número de players do mercado acionário. A recuperação econômica, a retomada do emprego e do otimismo são combustíveis naturais para o movimento que se vê ali. O Ibovespa dobrou de tamanho em pouco mais de um ano. Aproxima-se dos 120 mil pontos, numa marca jamais alcançada. Triplicou a quantidade de interessados nas suas transações. Está realmente experimentando uma primavera de resultados. Somente o número dos chamados pequenos e micro investidores em ações cresceu 200%. É muita mais gente envolvida e interessada em lançar seus recursos ali e a quantidade de ofertas iniciais de ações (IPOs) também avança na mesma proporção. O ciclo virtuoso da atividade está ainda em seu início e não é levado por mero entusiasmo passageiro. É fruto de um amadurecimento gradual que envolveu a adoção de controles rígidos, com uma respeitabilidade decorrente junto ao público. Como pregam os gestores, e mesmo as raposas da praça, não existe capitalismo sem capital
nas mãos dos brasileiros. E é isso que ocorre agora. Longe de tratar-se de uma bolha, a valorização acelerada e chamativa da bolsa de valores brasileira tem fundamentos
em métricas bem conhecidas. Não existe boiada sendo conduzida para o precipício. Longe disso. Muito menos qualquer sinal de um crash, mais adiante, fruto de gestões artificiais. A educação financeira tem contribuído para o amadurecimento e solidez de uma alternativa que, por anos, ficou longe do alcance da maioria, hoje bem mais consciente sobre como e onde colocar seu suado dinheirinho.

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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