Negócios

Ex-sócio de Trump em defesa da Amazônia

O carioca Ricardo Bellino, entusiasta do líder americano, investe em negócio que pretende reverter parte do faturamento para um fundo de apoio à floresta.

Crédito: Claudio Gatti

PROPÓSITO Ricardo Bellino se associou a uma empresa de polpa de frutas e pretende destinar US$ 1 milhão por ano na preservação do bioma. (Crédito: Claudio Gatti )

Defensor e ex-sócio de Donald Trump, o carioca Ricardo Bellino agora pretende seguir na contramão do presidente americano. Ao menos na questão ambiental. Ele quer aproveitar sua experiência como empreendedor para ajudar a preservar a Amazônia, tema que tem gerado conflitos entre lideranças globais e o governo brasileiro. O caminho para isso está na própria floresta, em polpa de frutas como açaí, cupuaçu e uma dezena de sabores. Mas, para chegar nas árvores, é necessário entender a história desse milionário que morou 11 anos em Miami e há dois vive em Sintra, cidade da região metropolitana de Lisboa.

Especialista em empreendedorismo e conhecido por desenvolver programas de mentoria, Bellino transformou a iniciativa em cursos on-line na pandemia. “Nesse período, lancei a proposta de procurar um novo sócio, a partir de boas ideias. Foram 21 mil inscritos”, disse.

Uma dessas ideias é justamente que tem esse viés de preservação ambiental. “Recebi um vídeo de um empresário de Feira de Santana (BA) falando da maior indústria de polpas de frutas no Brasil, a Brasfrut, que fatura cerca de R$ 150 milhões ao ano.” Segundo Bellino, a proposta era levar a companhia para o mercado americano. Foi assinado, então, um contrato de representação e, a partir daí, criada uma segunda empresa, a Brasfrutus. “Não queria só vender polpa nos EUA, e sim criar um movimento que pudesse se tornar global. Para isso, precisava de um parceiro importante no varejo”, disse. A empreitada foi se inscrever o projeto no programa de aceleração da Amazon. Com isso, foi criada a marca Tropical Rainforest.

OS TRÊS MINUTOS Ricardo Bellino conta que, em três minutos, em 2002, convenceu Donald Trump a investir em empreendimento no interior de São Paulo, que nunca saiu do papel. (Crédito:Divulgação)

E é aí que entra a preocupação com a floresta. O objetivo é destinar 3% do faturamento bruto da nova empresa para a causa ambiental. Os recursos irão para a Brazil Foundation, para apoiar o fundo Amazon Forever. Os produtos brasileiros começarão a ser comercializados na Amazon no segundo trimestre de 2021. Em vídeo, o CEO da Brasfrut, Reinaldo Vinicius Portugal, contou sobre a aliança. “Há um ano acompanhei a palestra do Bellino e percebi a capacidade dele em transformar. Por isso, entendi que era importante essa parceria para expansão do mercado americano”, disse.“E esse propósito de preservar a Amazônia faz toda a diferença.”

Ainda na mesma linha de preservação, Bellino planeja desbravar a paradisíaca praia de Canoa Quebrada, no Ceará. Nesse caso, por meio de um empreendimento imobiliário. São 4,5 milhões de metros quadrados, onde serão construídas cerca de 500 unidades, na primeira fase, entre hoteleiras e residenciais, em uma projeção total de R$ 5 bilhões em Valor Geral de Venda (VGV).

Mais uma vez, a imagem de empreendedor que ‘dobrou’ Trump será o carro abre-alas para que Bellino possa pisar no acelerador nos novos projetos. Sua história com Trump é tão curiosa e quase surreal quanto o próprio personagem que ele se encontrou por três minutos na Trump Tower, em Nova York (EUA), em 2002. “Foram os três minutos mais demorados da minha vida. Nunca terminaram.” O empreendimento com Trump, um resort de golfe em Itatiba, no interior de São Paulo, nunca saiu do papel. Ele encara a parceria como uma história de sucesso em sua carreira, por justamente ter gerado projeção de seu nome no exterior. Na verdade, esse é uma característica deste fazedor de negócios. “Deal maker” é como Bellino se define em seu Linkedin. E os fracassos fazem parte do seu currículo tanto quanto possíveis sucessos. O sucesso inspira, o fracasso ensina é seu lema.

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AMAZON Para disseminar frutas tropicais no mercado americano, Bellino criou uma empresa para se aproximar da megaloja global de Jeff Bezos. (Crédito:Richard Brian)

Bellino não gosta de ser chamado de trumpista, mas entende que o republicano teria sido melhor opção ao país do que Joe Biden, eleito para assumir a cadeira na Casa Branca a partir de janeiro, ainda que aponte falhas na gestão de seu ex-sócio. “Radicalismo em algumas questões são prejudiciais.” As críticas também esbarram na política ambiental – ou a falta dela – do governo do presidente Jair Bolsonaro. “Quando leio no The New York Times sobre o tamanho do problema da devastação da Amazônia e da total omissão do poder público essa preocupação aumenta.”

Ir na contramão de Bolsonaro e Trump pode ser, de fato, um dos primeiros indicativos para o sucesso da empreitada da polpa brasileira entre os americanos. O projeto rendeu duas sociedades. Se há uma área em que Bellino é frutífero ela é a de projetos e ideias. O nó a ser desatado, no entanto, é responder à pergunta dos milhões: quais deles ficarão de pé. Ensinamentos são sempre bem-vindos, mas a inspiração nesse caso será fundamental.

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