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Ex-premiê libanês Saad Hariri anuncia retirada da vida política

Ex-premiê libanês Saad Hariri anuncia retirada da vida política

Saad Hariri em Beirute, em 24 de janeiro de 2022 - AFP

O ex-primeiro-ministro e principal líder sunita libanês Saad Hariri anunciou nesta segunda-feira (24) sua retirada da vida política, citando como motivos a “influência iraniana” no país, a “desordem (do mesmo) na cena internacional” e as “divisões internas”.

Com 50 anos, lançado na arena política após o assassinato de seu pai, o ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, em 2005, anunciou sua decisão durante um breve discurso pronunciado em Beirute.



Este anúncio foi feito após uma série de contratempos financeiros e políticos durante os últimos anos, em um momento em que o Líbano sofre a pior crise socioeconômica de sua história.

“Interrompo minha participação na vida política e convido a minha família política, a Corrente do Futuro, a seguir meu caminho”, destacou, pedindo ao principal partido sunita, presidido por ele, a não apresentar candidaturas para as eleições legislativas previstas para maio deste ano.

“Não existe nenhuma oportunidade positiva no Líbano por causa da influência iraniana no país, da desordem na cena internacional, das divisões internas, do sectarismo e da desintegração do Estado”, afirmou Hariri.

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A Arábia Saudita era o principal aliado regional de Hariri, mas sua relação se deteriorou nos últimos anos porque Riade considerou que ele é muito brando com o movimento xiita Hezbollah.

Peso-pesado na política libanesa, o Hezbollah é armado e financiado pelo Irã xiita, grande rival regional da Arábia Saudita, sunita, além de ser a única facção que conservou as armas após o fim da guerra civil (1975-1990).


No Líbano, que sofreu frequentes crises políticas, Hariri liderou três governos. Desde sua chegada ao poder em 2009, ganhou com o passar dos anos a reputação de ser um homem de compromisso.

Apresentou sua terceira renúncia duas semanas após o início das manifestações populares contra a classe política, em 17 de outubro de 2019.

Apesar de sua nova designação para formar governo, em 22 de outubro de 2020, não conseguiu completar sua tarefa devido ao ressentimento popular e às profundas divisões da classe política.

Nas últimas eleições, em 2018, nas quais foi consolidada a influência do Hezbollah libanês, o número de cadeiras do partido de Hariri no hemiciclo caiu em cerca de um terço. Alguns vincularam a queda de sua popularidade com as concessões políticas que fez que, em sua opinião, tiveram como objetivo preservar a paz civil.