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“Eu sou quase um brasileiro”

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“Eu sou quase um brasileiro”

Como o senhor descreve o seu envolvimento com o processo de criação de suas coleções?
Eu tenho um time que me ajuda no processo de pesquisa de produção e nas cores. Mas, no que diz respeito ao design, eu mesmo faço. O meu modo de trabalhar é simplesmente pegar um pedaço de papel e desenhar a coleção. É o jeito que eu gosto de fazer e entendo que é o passo mais importante do meu trabalho. É algo que não mudarei.

O senhor decidiu diversificar sua coleção, com perfumes, por exemplo. Como fazer isso sem impactar a identidade da sua marca?
Eu diversifiquei, mas mantendo o design nos produtos. Todos expressam a mesma coisa: o fortalecimento das mulheres. Quero empoderar as mulheres. Os produtos refletem os desejos delas. Se não for para refletir os desejos, eu não diversificaria. Da mesma forma que já tive várias propostas para desenhar outros produtos, como roupas e óculos, mas recuei porque não me senti confortável. Eu quero a mesma atitude em todos os produtos, mas preciso respeitar os meus clientes. Quero que as pessoas vejam e gostem dos produtos, mas também os sintam.

Quais são as suas conexões com o Brasil? 
Eu tenho um grande relacionamento com o País. Enquanto meus amigos desejavam ir para o Rio de Janeiro, eu queria ir para Brasília conhecer as criações de Oscar Niemeyer. A primeira coisa que ouvi falar do Brasil foi a respeito dos prédios da capital. Depois, claro, também me apaixonei pelo Rio e outras cidades, como Trancoso, Manaus, Ouro Preto. Conheço muitos locais no País. Eu sou quase um brasileiro.

Em sua opinião, qual a importância do Brasil para o mercado de moda?  
O Brasil tem uma particularidade. Além de ser um país mais feminino, tem uma forte identidade da liberdade da mulher. Isso é muito simbólico e impactante. E isso traduz na moda e no luxo.

A sua empresa processou empresas como Yves Saint Laurent alegando plágio no solado vermelho. Esse cuidado é necessário?
Eu tenho muito respeito por Yves Saint Laurent, mas pelo estilista. Não tenho pela companhia que leva o seu nome. Quando uma empresa tem uma marca registrada, você tem que se proteger e foi isso o que eu fiz. O solado vermelho é a identidade da minha marca, que leva o meu nome. Eu que a criei. Se você tira minha identidade, você tira a essência da minha grife e a minha própria.

O que é elegância para o senhor?
É uma atitude que vem do coração. Não é elegante aquele que está bem vestido. Elegância é um jeito de ser e a forma que a pessoa se conecta com outras pessoas.

O senhor, apesar de ter apenas 54 anos, pensa na aposentadoria?
Com certeza, não. Temos grandes nomes que continuam trabalhando por muito tempo e a idade não é um impeditivo. Temos até o exemplo do próprio Niemeyer que permaneceu na ativa até depois dos 100 anos. É algo que nem passa pela minha cabeça.