Ciência

Estudo de DNA revela nova espécie de tartaruga gigante em Galápagos

Estudo de DNA revela nova espécie de tartaruga gigante em Galápagos

Uma tartaruga gigante Geochelone nigra, fotografada em um lago artificial na ilha de São Cristóvão, no arquipélago de Galápagos, em 1 de setembro de 2009 - AFP/Arquivos



Um estudo de DNA determinou que as tartarugas gigantes que habitam a ilha de São Cristóvão, em Galápagos, correspondem a uma nova espécie que ainda não foi descrita pela ciência, informou na quinta-feira (10) o Ministério do Meio Ambiente do Equador.

“A espécie de tartaruga gigante que habita a ilha de São Cristóvão, até agora cientificamente conhecida como Chelonoidis chathamensis, corresponde geneticamente a uma espécie diferente”, informou a pasta em sua conta no Twitter.

+ Tartarugas gigantes de uma ilha nos Galápagos pertencem a uma nova espécie, diz Parque Nacional

Pesquisadores da universidade de Newcastle, da universidade de Yale, da Galápagos Conservancy e de outras instituições compararam o material genético das tartarugas que atualmente habitam São Cristóvão, uma ilha de 557 km de extensão, com ossos e carapaças coletados em 1906 pela Academia de Ciências da Califórnia em uma caverna nas terras altas da ilha.



Quando foi feita a descrição de Chelonoidis chathamensis, o grupo expedicionário que recolheu os ossos da caverna nunca chegou às terras baixas da zona nordeste de São Cristóvão, onde as tartarugas vivem atualmente.

Com isso, “os cientistas concluíram que as quase oito mil tartarugas que existem hoje em São Cristóvão não podem ser Chelonoidis chathamensis, mas sim corresponder a uma linhagem completamente nova”, disse o Ministério do Meio Ambiente em comunicado.

A ONG americana Galápagos Conservancy acrescentou em um boletim que o grupo de Chelonoidis chathamensis do planalto de São Cristóvão “está quase certamente extinto” e que na ilha não habitam uma, mas duas variedades diferentes de tartarugas – uma que vivia nas terras altas e outra nas terras baixas.


Danny Rueda, diretor do Parque Nacional de Galápagos (PNG), comentou que “essa descoberta para Galápagos demonstra a constante variabilidade genética” das espécies do arquipélago, localizado a 1.000 km da costa do Equador.

O estudo, que foi publicado na revista científica Heredity, continuará com a recuperação de mais DNA de ossos e carapaças para esclarecer se as tartarugas vivas de São Cristóvão devem receber um novo nome.

Há milhões de anos, São Cristóvão pode ter estado dividida pelo mar e cada parte tinha sua própria espécie de tartaruga.

Mas uma vez que o nível da água baixou, as duas ilhas se fundiram, assim como suas tartarugas.

Galápagos, um Patrimônio Natural da Humanidade com flora e fauna únicas no mundo, foi batizado assim pelo nome das tartarugas gigantes. No arquipélago existiam originalmente 15 espécies de tartarugas gigantes, das quais três foram extintas há séculos, de acordo com o PNG.

Em 2019, um espécime de Chelonoidis phantastica foi encontrado na ilha Fernandina após mais de cem anos considerado como extinto.