Ciência

Estudo confirma vínculo entre vacina da Moderna e raros problemas cardíacos

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Frascos da vacina da Moderna (Crédito: AFP)



A vacina contra o coronavírus da Moderna pode causar problemas cardíacos, embora o risco seja muito pequeno e as complicações não sejam sérias, de acordo com um grande estudo da população dinamarquesa publicado nesta quinta-feira (15).

O relatório, publicado pelo British Medical Journal (BMJ), também aponta riscos cardíacos relacionados à vacina Pfizer, embora, neste caso, atinjam apenas mulheres.

“A vacinação com (Moderna) está associada a um maior risco de miocardite ou pericardite entre os dinamarqueses, especialmente aqueles com idades entre 12 e 39 anos”, resumem os autores.

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Miocardite e pericardite são inflamações do coração. A primeira afeta o miocárdio, o principal músculo cardíaco, e o segundo, o pericárdio, a membrana que envolve o coração.

As conclusões confirmam estudos anteriores, que levaram várias autoridades de saúde, incluindo as da França e da Dinamarca, a suspender o uso da vacina Moderna entre os mais jovens. A Islândia decidiu até suspender a aplicação da Moderna entre todos os adultos.

Este é o primeiro estudo de vacinas anticovid realizado em escala nacional.


De acordo com este estudo, os riscos de miocardite/pericardite são três a quatro vezes maiores no caso da vacina Moderna, nos meses seguintes à vacinação, do que entre os vacinados com Pfizer/BioNTech.

Já a vacina da Pfizer “só está associada a um maior risco de miocardite ou pericardite entre as mulheres”, explicam os investigadores, que admitem ter ficado surpreendidos com a conclusão.

No entanto, os pesquisadores insistem no fato de que tais problemas cardíacos após a inoculação com a vacina da Moderna são raros, incluindo para aqueles com menos de 40 anos de idade. Apenas 0,005% dos vacinados apresentaram esses sintomas.

Além disso, esses problemas são em sua maioria leves e não causaram morte ou parada cardíaca em nenhum caso.

A vacinação com Moderna ou Pfizer pode até ser benéfica para a saúde cardíaca em comparação com quem não foi vacinado, em caso de doença, embora esse não tenha sido o principal critério do estudo.