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Estudo aponta que mais de 80% das crianças consomem ultraprocessados

Crédito: Marco Fischer/Pexels

Situação se agravou na pandemia (Crédito: Marco Fischer/Pexels)



A alimentação infantil é sempre um ponto de muito cuidado e atenção nas famílias brasileiras. Por conta da falta de tempo para preparar as refeições em casa, muitas vezes as respostas mais práticas encontradas são os alimentos prontos e ultraprocessados como bolachas, salgadinhos e refrigerantes. 

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), coordenado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), aponta que mais de 80% das crianças de até cinco anos as crianças brasileiras consomem esse tipo de alimento, o que pode ser muito perigoso para um crescimento saudável. 

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“No dia anterior à realização da entrevista com as famílias, 22,2% dos bebês de seis meses a dois anos e 27,4% das crianças de dois a cinco anos não haviam consumido nem frutas nem hortaliças. A situação é mais preocupante na região Norte, onde, na véspera da entrevista, um terço (29,4%) dos bebês de até dois anos não havia comido nem frutas nem hortaliças, e a maioria deles (84,5%) tinha consumido ultraprocessados”, orienta Gilberto Kac, coordenador Nacional do Enani. Foram entrevistadas 14.558 crianças de zero a cinco anos em 123 municípios brasileiros entre fevereiro de 2019 e março de 2020




Startup carioca busca atender pais e mães 

Muitas vezes a falta de tempo e a correria do dia-a-dia acaba atrapalhando os pais que desejam se dedicar mais à alimentação das crianças, mas acabam não dando conta. Foi depois de observar essa necessidade que as empresárias cariocas Paula Cunha e Luciana Melhorim criaram a Jornada Mima, uma healthtech especializada em fazer refeições práticas e saudáveis para crianças de 0 a 6 anos de idade. 

Antes da empresa nascer, em junho de 2021, as duas sócias realizaram entrevistas com mais de 100 mães, nutricionistas e pediatras para entender qual seria a principal carência do mercado.

“É um mercado desassistido. Estamos falando de um mães e pais digitais, que acompanham a gravidez e o desenvolvimento do bebê por aplicativos e buscam soluções mais completas para o plano alimentar dos filhos, reduzindo assim a sobrecarga das mães, principalmente, na volta da licença maternidade, momento em que as crianças começam o período de introdução alimentar”, explica Melhorim.


Com investimento inicial de R$300 mil das sócias, a empresa trabalha com um modelo de assinatura onde os planos variam de R$182, com oito refeições, e R$299, com 14, e as entregas são feitas semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente. As refeições são produzidas em uma cozinha no bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.  

Para esse ano de 2022, a projeção é de entrega de 36.000 refeições em toda a cidade do Rio de Janeiro e Niterói e um crescimento de 1000% considerando o primeiro ano de operação. Outra estratégia é tentar fazer parcerias com empresas para funcionárias que voltam de licença maternidade.  

Situação se agravou na pandemia

Já a pesquisa “Alimentação na Primeira Infância: conhecimentos, atitudes e práticas de beneficiários do Bolsa Família”, publicada pelo UNICEF no último mês de dezembro, analisou hábitos alimentares de famílias com filhos de até seis anos beneficiadas pelo então programa Bolsa Família. Foram entrevistadas 1.343 pessoas responsáveis por 1.647 crianças, em 21 estados.

O estudo aponta que muitas das famílias mostram preocupação com a alimentação das crianças, mas que ainda falta informação para que elas consigam interpretar os rótulos dos produtos.

Além disso, a pandemia de coronavírus, que fechou diversas escolas pelo país em 2020 e 2021, prejudicou ainda mais o cenário já que várias crianças perderam o acesso à alimentação na escola.

“54% das famílias entrevistadas afirmaram que alguma criança com idade até 5 anos e 11 meses que reside na casa deixou de fazer alguma refeição ou não comeu quantidade suficiente de comida porque não havia dinheiro para comprá-la antes da pandemia. Durante a pandemia, esse índice cresceu para 72%. Para 52% dos entrevistados, a qualidade da alimentação no domicílio também piorou desde o início da crise sanitária global”, apontou o relatório.