Meio ambiente

‘Estamos perdendo a corrida’ contra a catástrofe climática, diz chefe da ONU

‘Estamos perdendo a corrida’ contra a catástrofe climática, diz chefe da ONU

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que o mundo está "perdendo a corrida" para evitar um desastre climático - AFP/Arquivos

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse nesta terça-feira que o mundo está “perdendo a corrida” para evitar um desastre climático, mas que as metas de redução de gases de efeito estufa ainda não estão fora de alcance.

Ele falou durante uma entrevista à coalizão de mídia Covering Climate Now, que inclui a AFP, dias antes de uma cúpula climática da ONU para jovens, que será seguida por uma reunião com líderes mundiais, na qual ele pedirá aos países que aumentem seus compromissos estabelecidos sob o acordo de Paris.

Sob o acordo histórico, os países se comprometerem a limitar o aumento a longo prazo da temperatura média da Terra a dois graus Celsius acima dos níveis pré-industriais e, se possível, a 1,5 graus Celsius.

“O que eu quero é que toda a sociedade exerça pressão sobre os governos para que eles entendam que precisam correr mais rápido, porque estamos perdendo a corrida”, disse Guterres, acrescentando: “O que a ciência nos diz hoje é que essas metas ainda são alcançáveis”.

Guterres disse que a inação de alguns países-chave, incluindo os EUA, pode ser pelo menos parcialmente compensada por ações no nível subnacional, por exemplo, nas promessas de carbono neutro feitas pelos estados da Califórnia e de Nova York.

“Acho que uma das melhores coisas da sociedade americana é o fato de ser um país federal (…), de que as decisões são descentralizadas, por isso sempre serei muito a favor de manter as decisões sobre as mudanças climáticas o mais descentralizadas possível”, disse.

Guterres observou que as grandes cidades, regiões e empresas estavam assumindo o controle e que bancos e fundos de investimentos estavam se retirando dos setores de carvão e combustíveis fósseis.

O secretário-geral também citou o exemplo da União Europeia, onde apenas três países se opõem ao objetivo de neutralidade de carbono até 2050, e disse que sentiu um “novo vento” no impulso por energias renováveis, especialmente com o crescimento da energia solar na Índia e na China.

O não cumprimento das metas estabelecidas no acordo de Paris pode levar ao cruzamento dos chamados “pontos de ruptura”, como o degelo do permafrost da Terra, que acelera ainda mais o aquecimento, criando uma situação em que eventos climáticos extremos se tornam a norma.

Guterres disse que está animado com a crescente conscientização da sociedade, o que significa que a esperança ainda não estava perdida, “mas que exige mudanças profundas na maneira como produzimos alimentos, na maneira como impulsionamos nossas economias, na maneira como organizamos nossas cidades, na forma como produzimos energia”.

“Sinto que cada vez mais pessoas, empresas, cidades e governos estão entendendo que isso precisa ser feito”, afirmou.