“Estamos nos preparando para internacionalizar a empresa a partir de 2021”

“Estamos nos preparando para internacionalizar a empresa a partir de 2021”

O empresário João Appolinário, fundador da Polishop, volta a tentar a sorte no Exterior depois de duas experiências malsucedidas na Argentina e no México, no fim da década passada. Desta vez, ele está seguro que aprendeu com os erros e tem uma nova estratégia de entrada em mercados estrangeiros: o foco em marcas próprias e, se tudo der certo, a conquista dos Estados Unidos. Appolinário, que construiu um império de varejo multiplataforma a partir da venda de produtos pela televisão e hoje tem uma rede própria de lojas físicas e virtuais e fábrica em Manaus, quer fazer a América. Ele está de férias na Europa com a família, mas encontrou uma brecha para dar uma palestra sobre sua estratégia no XVI Encontro Santander América Latina, que ocorreu na semana passada em Madri. Em seguida, ele falou à DINHEIRO sobre seus planos, sem mencionar cifras. Acompanhe, em seguida, trechos da entrevista exclusiva ao diretor de redação, Milton Gamez:

Quais são os planos da Polishop para superar o ambiente de crise política no Brasil?
Não podemos nos pautar pela crise, se não a gente não faz nada. Investimos no nosso negócio e vamos em frente. O varejo está sofrendo, e continuamos a expandir. Estamos investindo em duas novas marcas próprias, a be emotion, de beleza, e a Viva, de alimentação saudável. A be emotion não está focada só em cosméticos, mas também em produtos de beleza, como secador de cabelo, prancha alisadora, etc. A Viva tem nutritivos, energéticos e vários produtos, inclusive eletroportáteis. Vou lançar no segundo semestre uma máquina que faz leite de arroz, de cereais. Estamos criando quase uma empresa nova, inteiramente ligada a isso.

O que significam esses investimentos?
Estamos nos preparando para internacionalizar a empresa a partir de 2021. Nosso projeto de longo prazo é criar marcas próprias para poder ultrapassar fronteiras. Quando falo de uma marca como a Air Fry, por exemplo, fico limitado ao mercado brasileiro. Estamos focando cada vez mais em produtos com benefícios específicos e marcas próprias.

De que maneira?
Estamos fazendo parcerias. Fizemos uma parceria com a Gama para os produtos da be emotion, por exemplo.

E a fábrica de Manaus?
Lá produzimos equipamento de ginástica. É um negócio que divulgamos muito pouco, porque a marca própria perdeu valor. Geralmente, os varejistas lançam como marcas próprias produtos baratos e de má qualidade. As marcas top são de terceiros. O varejista faz um tênis barato com sua marca e oferece tênis bom da Nike. Nós não fazemos isso. A nossa não é a marca barata, é aquela com preço justo e com benefícios específicos. Estamos tratando de criar força e estrutura para nossas marcas. As duas categorias que mais vendem são saúde e beleza.

Como está o plano de internacionalizar? Em 2008 o senhor já falava sobre expandir na Argentina, na Espanha…
Sim. E fui. Vim para a Espanha na crise de 2008 e 2009, aqui estava muito complicado. Na Argentina chegamos no período de problemas na importação. Muito complicado. Aí voltei, foquei no Brasil, o que foi uma decisão super correta. Hoje tenho 100% das vendas no Brasil.

Aprendeu com os erros?
Todo mundo pode errar. Mas você precisa errar rápido. Não pode ficar insistindo em um erro só porque foi ideia minha.

O que vai mudar agora?
Uma dificuldade que tive era, por exemplo, ter de procurar a Philips da Espanha, que é independente, e contar toda a minha história, fazer o trabalho todo de novo. Quero ir para os países sem precisar disso, trazer meus produtos direto da China, de onde for, sem passar por isso. Sou proprietário intelectual e da marca de meus produtos e isso dá uma facilidade incrível. As marcas que quiserem vir comigo podem vir, mas não posso vir para cá sem nada e começar toda a negociação. Posso vir de forma independente para os países, em vez de fazer um trabalho local, faço um trabalho global. Na prática, não consigo negociações globais com grandes corporações. O principal homem da Philips não se envolve nisso.

Para quais países vão expandir? 2021 é logo ali…
Estamos costurando algumas coisas, não posso abrir. Pode ser na America Latina. Mas estamos sempre olhando o mercado americano. Na hora que pega um mercado deste tamanho, você consegue depois escorrer para todos os lados. Estamos vendo uma oportunidade dentro dos Estados Unidos, que seria uma coisa já maior, mais encorpada, e países da América do Sul. É importante localizar o melhor parceiro local nesses países, alguém estratégico. Nosso modelo é ter um sócio local que conheça o mercado. Não quero entrar sozinho, mas usar minha inteligência de negócios e a inteligência dele como parceiro local.

(Nota publicada na Edição 1026 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Márcio Kroehn e Rodrigo Caetano)

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