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Especialistas internacionais sobre violência policial em Hong Kong renunciam

Especialistas internacionais sobre violência policial em Hong Kong renunciam

Policial antidistúrbios detém mulher durante um confronto entre forças de ordem e manifestantes em 30 de novembro de 2019 no distrito de Mongkok, em Hong Kong - AFP

Um grupo de especialistas internacionais que participariam na investigação sobre a violência policial contra os manifestantes pró-democracia em Hong Kong anunciou nesta quarta-feira sua renúncia diante da impossibilidade de trabalhar livremente, o que significa um revés para o executivo pró-chinês.

No mês passado, os especialistas, eleitos pelo governo de Hong Kong redigiram um comunicado, que não publicaram, mas que foi veiculado pela mídia. No texto, eles denunciaram o problema de sua falta de independência.

Eles também afirmaram que para obter uma investigação confiável é preciso um organismo totalmente independente da polícia e não a Autoridade de Supervisão da Polícia de Hong Kong (IPCC), que era a encarregada.

Finalmente, nesta quarta-feira, os especialistas anunciaram que sua colaboração com a IPCC não prosperou.

“Consequentemente, o grupo independente de especialistas [Independent Expert Panel, IEP] decidiu renunciar oficialmente”, informou o comunicado.

“Chegamos à conclusão de que há grandes lacunas patentes nas capacidades e nas possibilidades de investigar de maneira independente do IPCC”, escrevem em sua carta.

O analista político Ma Ngok disse que a decisão desses especialistas confirma as dúvidas dos habitantes de Hong Kong sobre a capacidade da IPCC para esclarecer o que está acontecendo nas ruas.

“A estratégia do governo de fazer crer que estava realizando um relatório independente graças a esses especialistas estrangeiros fracassou”, disse Ngok à AFP.

– Reivindicação das ruas –

A investigação sobre a atuação da polícia se tornou uma das principais reivindicações do movimento pró-democracia, que há seis meses protesta nesse território chinês semiautônomo.

O executivo de Hong Kong, dirigido por Carrie Lam, sempre rejeitou essa demanda.

O grupo de investigadores é presidido por Dennis O’Connor, um ex-magistrado especialista do direito de manutenção da ordem, e incluía especialistas de outros países como Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

Em dezembro, o diretor do IPCC, Anthony Neoh, criticou os especialistas da mídia chinesa, considerando que “não entendiam a situação em Hong Kong”.

Segundo seus críticos, o IPCC não tem o poder de investigação necessário, aceita as estatísticas da polícia sem questioná-las e não é capaz de questionar as forças de segurança.

O organismo pode tratar somente das queixas transmitidas pela própria polícia e não pode convocar testemunhas nem pedir a um juiz que obtenha documentos que não tenham sido transmitidos antes.

Segundo os especialistas, as restrições “não permitem responder às expectativas dos cidadãos de Hong Kong”. A população precisa de “um organismo encarregado de supervisionar um policial que opere em uma sociedade que aprecia as liberdades e os direitos”.

O movimento pró-democracia, que na segunda-feira entrou em seu sexto mês, começou com os protestos contra um projeto de lei que autorizaria as extradições para a China continental.

O texto foi enterrado, mas os manifestantes ampliaram suas reivindicações para pedir mais democracia.

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