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Especialistas dizem que ‘fatos’ não vão resolver a crise de desinformação

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As consequências das repetidas alegações infundadas de fraude eleitoral de Donald Trump virão em várias ondas, dizem os pesquisadores (Crédito: Reprodução/Pexels)

No início de 2021, milhões de americanos parecem discordar sobre um dos fatos mais básicos de sua democracia: que Joe Biden venceu as eleições presidenciais de 2020.

As consequências das repetidas alegações infundadas de fraude eleitoral de Donald Trump virão em várias ondas, dizem os pesquisadores que estudam a desinformação, mesmo se Trump finalmente entregar o poder e deixar a Casa Branca.

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Segundo matéria publicada no The Guardian, não há maneira rápida ou fácil de resolver essa crise. Porque, quando se trata de lidar com a desinformação, simplesmente repetir os fatos não faz muito para mudar a opinião de ninguém.

A atual crise de desinformação da América é o culminar de mais de duas décadas de poluição do ecossistema de informações do país, disse Claire Wardle, diretora executiva do First Draft, grupo que pesquisa e combate a desinformação.

A disseminação da desinformação nas redes sociais é uma parte dessa história, mas também o é o aumento de meios de comunicação de direita alternativos, a falta de investimento na mídia pública e o fim dos meios de comunicação locais.

A esquerda e a direita nos Estados Unidos não têm apenas conjuntos diferentes de veículos de mídia para seus diferentes públicos: eles também desenvolveram modelos distintos de compartilhamento de informações.

Os principais meios de comunicação ainda seguem um modelo tradicional de transmissão de cima para baixo: uma fonte autorizada produz as notícias e as envia aos consumidores. O ecossistema de mídia de direita, que se desenvolveu por meio de programas de rádio, por outro lado, opera como uma rede de personalidades da mídia interagindo entre si, “uma comunidade contando histórias para sua própria comunidade”, disse Wardle.

Trump construiu isso, abraçando o que Kate Starbird, uma professora da Universidade de Washington que estuda desinformação, no Twitter chamou de modelo de “desinformação participativa”.

“Trump não apenas preparou seu público para ser receptivo a falsas narrativas de fraude eleitoral, ele os inspirou a criá-los e então ecoou essas falsas alegações para eles”, afirmou.

Tentar combater a desinformação por meio de checagem de fatos ou desmascarar alegações falsas individuais apenas se transforma em um jogo interminável e infrutífero de “bater na toupeira”.

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