Negócios

A escola do futuro

Entenda por que bilionários como Jorge Paulo Lemann e executivos do mundo inteiro estão buscando conhecimento na Singularity University, na Califórnia

Crédito: Divulgação Singularity University

Inovar é a regra: alunos são encorajados a desafiar até as coisas consideradas impossíveis, como colonização de Marte. Na foto, uma aluna faz um teste no laboratório de química da entidade (Crédito: Divulgação Singularity University)

Por que executivos de todo o mundo teriam interesse em estudar computação quântica, nanotecnologia e inteligência artificial? No campus da Nasa, no Vale do Silício, na Califórnia, os alunos da Singularity University buscam na ciência as lições que possam ajudá-los a desenvolver negócios com impacto social a partir de novas tecnologias. Criada em 2008 pelo pesquisador de linguagem e inteligência do Google, Ray Kurzweil, em conjunto com Peter Diamandis, a Singularity oferece cursos para públicos diversos, que estejam dispostos a desenvolver novas formas de de pensar nesse mundo disruptivo. Um dos grandes diferenciais é o time de docentes, ligados à vanguarda da tecnologia, principalmente ao Google, como neurocientistas, especialistas em robótica e até astronautas.

Não é fácil: centenas de candidatos se inscrevem para cada programa. Mesmo os aprovados aguardam em uma lista de espera. Abaixo, alunos tentam desenvolver um chip que detecta o câncer mais cedo (Crédito:AP Photo/Tony Avelar)

Eles buscam estimular nos pupilos o desenvolvimento de conceitos que torne obsoleto tudo o que aprenderam no passado. Segundo Aurora Suh, executiva brasileira de tecnologia que esteve na escola em 2017, a metodologia pode ser aplicada, por exemplo, na contenção precoce de epidemias, por meio da computação. “Para muitas empresas, lucro e impacto já trabalham de mãos dadas”, diz Suh. Não é só o impacto social que atrai. Há quem busque no método lições para o universo empresarial. “Queria acompanhar o que há de novo no mundo, para aplicar isso no meu trabalho”, explica Marcelo Tripoli, vice-presidente de marketing digital da McKinsey.

Entrar na Singularity não é fácil. Interessados passam por uma seleção exigente. Os aprovados ainda enfrentam uma lista de espera. Entre os cursos, o Executive Program, mais curto, é geralmente voltado para profissionais mais experientes. O brasileiro Onício Leal Neto participou dele no início do ano passado. Ele é cofundador da Epitrack, um aplicativo que mapeia sintomas de doenças em uma região, na expectativa de identificar possíveis epidemias antes que elas aconteçam. Para demonstrar a importância das novas tecnologias, ele cita um colega de classe, o executivo Carlos Alberto Sicupira, do grupo 3G, responsável por comprar empresas como Burger King e Heinz.

“Eu perguntei por que um dos caras mais ricos do Brasil estaria lá”, lembra. “Ele disse: ‘eu vim para não ficar de fora’.” O mesmo aconteceu com Jorge Paulo Lemann, o comandante do 3G, que, em 2016 também frequentou as salas de aula da Singularity. Trata-se do exemplo mais prático da máxima de Kurzweil, recitada por Conrado Schlochauer, embaixador da instituição em São Paulo e sócio da empresa de educação corporativa Affero Lab: “O futuro não acontece, o futuro é criado.” Não há melhor explicação para o conceito que rege a Singularity.


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