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Escassez de combustível preocupa trabalhadores essenciais no Reino Unido

Escassez de combustível preocupa trabalhadores essenciais no Reino Unido

Postos de gasolina enfrentam falta de combustível na Inglaterra - AFP

Representantes de associações de médicos, professores e outros trabalhadores essenciais pediram ao governo britânico nesta terça-feira (28) que atue para permitir o reabastecimento, após vários dias de escassez de combustível provocada pelas compras em larga escala de motoristas preocupados com a falta do produto.

Há vários dias, muitos motoristas causam enormes engarrafamentos nos postos de gasolina, algo que o governo atribui a um movimento de pânico, depois que alguns distribuidores anunciaram o fechamento de bombas por falta de caminhoneiros para transportar combustível a partir dos terminais de armazenamento.

A falta de caminhoneiros começou há meses, impulsionada pela pandemia e pelo Brexit. O problema também afeta o abastecimento de supermercados, lanchonetes e bares, entre outros, que relatam atrasos nas entregas e falta de alguns produtos.

Associações de médicos, enfermeiras e funcionários do sistema penitenciário exigem que trabalhadores essenciais tenham acesso prioritário aos postos de gasolina.



“Não podemos ficar duas ou três horas na fila quando temos pacientes para atender”, disse o vice-presidente da Associação Médica Britânica, David Wrigley, ao canal SkyNews, pedindo às autoridades que adotem medidas ainda nesta terça-feira.

“Se não temos combustível, isto afeta nossos pacientes”, destacou.

Em outra área, caso o problema persista, algumas escolas cogitam o retorno do ensino à distância, abandonado desde o fim das restrições contra a covid-19.

“Para muitos professores, utilizar o transporte público simplesmente não é uma opção”, afirmou Patrick Roach, secretário-geral do sindicato de professores NASUWT, que também defendeu o acesso prioritário para os profissionais da educação no momento de abastecer os veículos.

Caso os alunos tenham que ficar novamente em casa, ante o eventual fechamento das escolas ou retorno às aulas virtuais, os pais também deveriam fazê-lo e boa parte da economia, recentemente reativada após a pandemia, voltaria a ficar paralisada.

“Vamos deixar os trabalhadores essenciais reabastecerem primeiro”, afirma em sua manchete nesta terça-feira o jornal The Mirror, enquanto The Sun critica o governo de Boris Boris Johnson pelo “caos e confusão”

– “Gestão do Brexit” –

O governo deve “pôr mãos à obra” diante da crise de combustível e usar poderes de emergência para designar determinados postos de serviços a serem usados por trabalhadores em setores-chave, exigiu a Unison, grande organização que representa o setor público.

Em resposta à crise, o governo pediu ao exército na noite de segunda-feira que permaneça preparado para intervir, “se necessário, para estabilizar o fornecimento de combustível”.

Antes, já havia anunciado uma flexibilização temporária das normas de imigração pós-Brexit para atrair mais caminhoneiros estrangeiros. ]

Porém, David Brown, presidente da ‘National Courier and Despatch Association’, que representa as empresas de distribuição independentes, afirmou à AFP que não vê o alívio que esperava após vários dias de tensão.

“Meus motoristas têm problemas para encontrar combustível”, disse a respeito de sua própria empresa de distribuição, que foi obrigada a rejeitar alguns pedidos. “Minha frota é pequena, é muito difícil prever se podemos fazer os trajetos”, disse.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, se declarou tranquilo e afirmou que as “compras por pânico” estão “moderando”.

“As pessoas responderam ao pedido para reabastecer apenas quando realmente precisam de combustível e, em qualquer caso, seus tanques estão mais cheios agora”, destacou em um comunicado.

Mas para o deputado da oposição trabalhista Nick Thomas-Symonds, a crise de combustível se deve à “total incompetência” do governo e a sua “gestão Brexit”.

Uma opinião compartilhada por Olaf Scholz, ministro das Finanças da Alemanha e possível próximo chefe de Governo: “Trabalhamos duro para convencer os britânicos a não abandonar a União Europeia, mas agora que decidiram fazê-lo, espero que consigam administrar os problemas que surgem”, declarou a um jornalista britânico.

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