Economia

Escândalo da Wirecard põe Ernst & Young na berlinda

Crédito: AFP/Arquivos

Fachada da sede central da Wirecard, em 24 de junho de 2020, em Aschheim, perto de Munique (Crédito: AFP/Arquivos)

Arrastada pelo escândalo de falência da empresa alemã de pagamentos on-line Wirecard, a gigante mundial de auditorias Ernst & Young (EY) vê sua reputação em xeque, devido às suas deficiências na verificação da contabilidade.

Processos já foram apresentados contra a consultoria, após a quebra, esta semana, do provedor de pagamentos eletrônicos, que emprega 6.000 pessoas.

+ Após escândalo com ex-CEO, Wirecard pede falência com rombo de R$ 11 bilhões
+ Wirecard perde R$ 7,4 bi em valor de mercado após fundador ser preso e pagar fiança de R$ 29 mi

A associação de acionistas alemães SdK entrou com uma ação criminal contra dois auditores e contra um ex-auditor da EY na Alemanha.

Empresa cotada na Bolsa de Valores de Frankfurt e que se declarou em falência na quinta-feira, a Wirecard é suspeita de ter inflado suas contas com fundos fictícios nas Filipinas, algo da ordem de € 1,9 bilhão.

O ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, disse se tratar de um “escândalo sem precedentes no mundo financeiro” e garantiu que os controles no setor de pagamentos eletrônicos serão mais rigorosos.

Ninguém – nem os auditores, nem a Autoridade Federal de Supervisão Financeira do país (Bafin) – detectou o que estava acontecendo.

E isso apesar de, desde 2015, circularem boatos na imprensa sobre irregularidades no modelo econômico da Wirecard. No início de 2019, o jornal econômico britânico “Financial Times” chegou a publicar uma investigação sobre suspeita de fraude na Ásia.

Esta semana, o “Financial Times” acusou a EY de não fazer seu trabalho corretamente. Segundo o jornal, a EY não solicitou informações bancárias cruciais de um banco de Singapura, onde o Wirecard afirmou ter até € 1 bilhão em dinheiro.

As ações da Wirecard despencaram 98% nos últimos dez dias.

No início de junho, o escritório de advogados berlinense Schirp & Partner entrou com uma ação na Justiça contra a EY, acusando-a de violar “as obrigações de controle de um auditor”. O conglomerado japonês Softbank planeja fazer o mesmo, de acordo com a revista semanal “Der Spiegel”.

Questionada pela AFP, a EY disse que ainda não foi notificada.

Alguns comparam o “caso Wirecard” à queda da Enron, no início dos anos 2000. O grupo de energia americano, cujas contas foram supervisionadas pelo escritório de contabilidade da Arthur Andersen, deturpou seu saldo antes de afundar.

A Arthur Andersen foi processada e condenada por obstrução de Justiça, precipitando a queda da quinta maior empresa de auditoria do mundo.

Veja também

+ Eclipse solar total: saiba onde e quando poderá ser visto o fenômeno
+ Passo a passo: saiba como cadastrar e usar a CNH digital
+ Veja os carros mais vendidos em outubro
+ Grave acidente do “Cake Boss” é tema de reportagem especial
+ Ivete Sangalo salva menino de afogamento: “Foi tudo muito rápido”
+ Bandidos armados assaltam restaurante na zona norte do RJ
+ Mulher é empurrada para fora de ônibus após cuspir em homem
+ Caixa substitui pausa no financiamento imobiliário por redução de até 50% na parcela
+ Teve o auxílio emergencial negado? Siga 3 passos para contestar no Dataprev
+ iPhone 12: Apple anuncia quatro modelos com preço a partir de US$ 699 nos EUA
+ Veja mudanças após decisão do STF sobre IPVA
+ T-Cross ganha nova versão PCD; veja preço e fotos
+MasterChef: competidora lava louça durante prova do 12º episódio’
+As 10 picapes diesel mais econômicas do Brasil
+ Cozinheira desiste do Top Chef no 3º episódio e choca jurados
+ Governo estuda estender socorro até o fim de 2020
+ Pragas, pestes, epidemias e pandemias na arte contemporânea
+ Tubarão-martelo morde foil de Michel Bourez no Tahiti. VÍDEO

+ Arrotar muito pode ser algum problema de saúde?