Economia

Equipe desfalcada

Ao deixar a presidência do Banco do Brasil, Rubem Novaes se junta a outros sete nomes escalados por Paulo Guedes que já abandonaram o time. E o jogo fica cada vez mais difícil para o ministério da Economia.

Equipe desfalcada

SEM ELENCO A partir da esquerda: Paulo Guedes, Roberto Campos Neto (do BC) e Pedro Guimarães (da Caixa), que seguem no jogo. Joaquim Levy, Rogério Marinho, Marcos Troyjo, Alexandre Manoel, Caio Megale, Marcos Cintra, Mansueto Almeida e Rubem Novaes já deixaram o time.

Em time que está ganhando não se mexe. A máxima do futebol diz muito sobre as oito baixas na equipe econômica de Paulo Guedes. Em 18 meses, 18% dos profissionais de perfil técnico que aceitaram trocar o mercado pelo ministério da Economia já deixaram a esplanada. Foram três anúncios de despedida só nos últimos quinze dias. Mas a saída de Rubem Novaes da presidência do Banco do Brasil, comunicada na sexta-feira (24), é a que causa maior tensão no Palácio da Alvorada. O executivo faz parte do chamado “grupo radical” de apoio ao governo e está ligado a Olavo de Carvalho, o guru ideológico do presidente da República. Um dia depois de apresentar sua renúncia, Novaes concedeu uma entrevista à CNN Brasil na qual afirmou ter deixado o cargo por “não se adaptar à cultura de privilégios, compadrio e corrupção de Brasília.” A fala repercutiu no Congresso. Pelo menos dois senadores já apresentaram requerimento para que Novaes explique melhor as razões de sua saída. Segundo os parlamentares, há muito a ser esclarecido sobre a gestão de Novaes.

Do ponto de vista econômico, assessores de Guedes afirmam que havia expectativa de resultados mais pujantes na emissão de crédito mais barato pelo banco, o que teria desagradado o ministro. Na polêmica reunião ministerial de 22 de abril, Guedes chegou a criticar a atuação de Novaes à frente do BB. O ministro disse que o governo “faz o que quer” com a Caixa Econômica Federal e o BNDES, mas no BB “não consegue fazer nada”, mesmo tendo um “liberal lá”. Nas palavras do ministro, o Banco do Brasil “não é tatu nem cobra, porque ele não é privado, nem público”. Guedes terminou a frase afirmando que “tem que vender essa porra logo”. Em consonância com a fala do chefe, Novaes defendeu a privatização do BB, mas foi repreendido por Bolsonaro. Para o presidente, “só se fala nisso em 2023”.

VERBA PARA FAKE NEWS Meses depois, foi Novaes quem causou incômodo. No início de julho, ele questionou a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de impedir que o banco faça propaganda em sites acusados de espalhar fake news. Após o anúncio da saída de Novaes, o BB emitiu uma nota informando que a renúncia do executivo compreende a necessidade de “renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário”. Ainda falta explicar operações como a venda de uma carteira do banco que tem R$ 2,9 bilhões em dívidas vencidas por apenas R$ 371 milhões. Enquanto senadores querem respostas para as polêmicas envolvendo Novaes, deputados do centrão já tentam emplacar um nome para a vaga. Segundo um assessor próximo a Guedes, contudo, o ministro não abre mão de um nome técnico para presidir o BB, que terá papel vital no período de retomada econômica. Entre os nomes mais cotados pelo ministro estão Hélio Magalhães, atual presidente do conselho de administração do BB, e Pedro Guimarães, presidente da Caixa.

Sobre a saída de Novaes, Bolsonaro afirmou apenas que as mudanças fazem parte do jogo, e que “ele não foi o primeiro, nem será o último” a sair ou entrar no governo. É verdade. Caio Megale, ex-diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia também pediu demissão. No início de julho, o então secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, também abandonara o governo. Ambos alegaram “razões pessoais”.

Antes da debandada de julho, outros nomes importantes da equipe econômica já haviam deixado o time de Paulo Guedes, seja por vontade própria ou por questões puramente políticas. Esse foi o caso de Joaquim Levy, demitido da presidência do BNDES pelo mandatário da Nação, simplesmente porque havia sido ministro da Fazenda de Dilma Rousseff. Marcos Cintra, por sua vez, teve de deixar a Secretaria da Receita Federal após ter afirmado que a volta da CPMF seria a única saída para aumentar a arrecadação. Houve, ainda, os casos de Marcos Troyjo (ex-secretário de Comércio Exterior) e Rogério Marinho (ex-secretário de Previdência e Trabalho). Ambos foram alçados a cargos melhores, mas não há dúvida de que saíram do Ministério após animosidades com o próprio Guedes. Alexandre Manoel (ex-secretário de Avaliação de Políticas Públicas) saiu alegando cansaço. Com tantas baixas sem nem ter completado o primeiro tempo do jogo, quem assiste à partida de Paulo Guedes se pergunta como (e com quem) o time chegará ao final do tempo regulamentar.

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