Tecnologia

Epson imprime seu novo caminho

Líder do mercado nacional, fabricante de impressoras tem novo presidente no Brasil, mira o mercado corporativo (de novo) e lança modelo de negócio de assinatura para projetores na área educacional.

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"Temos um portfólio bastante amplo fora da linha de impressoras. Vamos alavancar esses produtos e soluções" Henrique Sei presidente da Epson. (Crédito: Divulgação)

O sinal de alerta está ligado nos fabricantes de impressoras que atuam no mercado brasileiro. As 2,2 milhões de unidades comercializadas em 2020 representaram queda de 6,8% em relação a 2019, segundo a consultoria IDC. O porcentual negativo ocorre depois de três anos de alta, que já desenhavam o momento delicado de um setor em desaceleração: altas de 21% em 2017, 8% em 2018 e 3,1% em 2019. Quando a luz amarela acende, os holofotes se voltam para o movimento da líder do mercado. No caso do Brasil, a Epson. A multinacional de origem japonesa está em pleno curso de uma série de ações para manter sua relevância no campo das impressoras domiciliares e de escritórios, além de mirar avanços em outras frentes, como maquinário para a indústria têxtil e projetores. Para imprimir esse novo capítulo de sua história, a empresa muda de comando na operação brasileira, informação antecipada com exclusividade à DINHEIRO. O atual presidente Fabio Neves foi promovido para a vice-presidência de vendas da América Latina. Em seu lugar assume Henrique Sei, que deixa o cargo de CEO no Chile da G4S, britânica do mercado de segurança, tecnologia e facilities.

“Temos um portfólio bastante amplo fora da linha de impressoras. Vamos alavancar esses produtos e soluções e apresentá-los de forma mais intensa”, afirmou Sei, que ainda está no Chile por causa das restrições de voos para o Brasil — deve regressar até a próxima semana para iniciar a imersão presencial na Epson, que globalmente faturou US$ 9 bilhões em 2020, com lucro de US$ 559,6 milhões, 50% superior ao ano anterior.

São imensos os desafios do executivo brasileiro, que também tem passagem de 15 anos pela Dell. A começar pela manutenção do primeiro lugar em market share das impressoras EcoTank no Brasil. A marca é responsável por 79,4% da fatia do mercado interno nesse sistema lançado pela própria empresa em 2014. No início de 2020, eram 73,5%. Ou seja, durante a pandemia, a Epson cresceu 5,9 pontos porcentuais em share e aumentou a distância para os concorrentes, como HP e Canon. Em unidades, o crescimento foi de 7,2% em 2020.

IMERSÃO Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, será reinaugurado nos próximos dias, equipado com 50 projetores da Epson. (Crédito:Ana Mello)

O bom desempenho tem relação com o fato de a Epson ter sua fábrica no Brasil, em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. Enquanto outras marcas tiveram problemas em importar componentes na pandemia, por escassez de itens e logística conturbada, a companhia japonesa tinha a vantagem de produção local, o que garantiu disponibilidade e entrega do seu “pãozinho francês”, como Fabio Neves gosta de chamar a linha EcoTank, carro-chefe em vendas da marca. “O comportamento das pessoas e das corporações mudou. Levaram a impressão para dentro de casa”, afirmou Neves, que deixa a presidência após dois anos e meio.

Em abril, a Epson bateu a marca de 5 milhões de unidades vendidas no Brasil, das 60 milhões comercializadas no mundo. Um feito que vem acompanhado de outro resultado histórico em âmbito global. Após mais de uma década na terceira posição em market share, segundo dados da IDC, a Epson ultrapassou a Canon no primeiro trimestre deste ano e assumiu a vice-liderança, com 4,95 milhões em remessas de impressoras, o que representa 19,4% da fatia do mercado. O crescimento foi de 14,6% em relação ao mesmo período de 2020. Encabeça o ranking a HP, com 10,81 milhões de remessas e 42,4% de share.

NOVIDADES Apesar de navegar muito à frente de seus rivais na categoria EcoTank em um oceano com algumas marolas, a Epson tem se mexido para ampliar sua atuação no mercado. Uma das apostas é na SureColor F170, a menor impressora de sublimação, lançada no fim de 2020. Imprime em papel especial para em seguida o desenho ser aplicado em outras superfícies, como produtos de brindes — canecas, mousepads, máscaras faciais, capas de smartphones, camisetas e bonés. Uma opção relativamente barata — custa em média R$ 3 mil — para pequenos empreendedores. “Temos investido muito em soluções para ajudar pessoas e seus negócios a prosperarem no pós-pandemia”, disse Fabio Neves.

Claudio Gatti NOVO DESAFIO Durante dois anos e meio, Fabio Neves colocou a mão na tinta para fazer a Epson avançar no mercado nacional. Agora, foi promovido para a vice-presidência da América Latina . (Crédito:Claudio Gatti )

É nessa mesma tendência de personalização demandada por consumidores que a Epson foca no mercado corporativo. A indústria têxtil é um dos principais alvos. O portfólio é composto por equipamentos como Monna Lisa 8000 e Monna Lisa Evo Tre 16 e as SureColor F9370, F2100 e F3070. As máquinas estão em funcionamento no Solutions Center, espaço da marca inaugurado no início do ano passado — pouco antes da pandemia — para demonstrar os produtos aos potenciais clientes, que testam novas soluções. A experimentação visa mostrar ao industrial que a mudança do analógico para o digital gera eficiência e sustentabilidade. O produtor de tecidos conhece na prática como sair do uso de 200 litros de água por quilo de tecido impresso para apenas 2 litros de água pelo mesmo volume de material. É possível obervar ainda que em uma área de apenas 200 m2 é possível produzir 20 mil camisetas estampadas e 200 mil m2 de tecido por mês. Uma estamparia analógica precisaria de um espaço dez vezes maior para fazer a mesma quantidade.

A aproximação com clientes e utilização mais intensa do Solutions Center está nos planos de Henrique Sei. “O que eu faço muito é estar na linha de frente junto aos clientes, para conhecer os problemas e propor as soluções adequadas”, disse o novo presidente da Epson no Brasil, ao ressaltar que scanners multifuncionais também estarão no front page do portfólio de produtos da companhia, com novidades nos próximos meses.

CORPORATIVO Modelos voltados ao corporativo visam colocar a Epson na relevância de uma parte do mercado em que ela ainda não tem grande penetração. Em 2019, no início de sua gestão à frente da operação brasileira, Fabio Neves projetava sair do patamar de 3% de market share para algo entre 10% e 12%. Houve evolução, mas a meta não foi atingida em um nicho dominado pelas impressoras a laser com toner, que demandam muito consumo de energia para gerar calor. A missão fica para o novo executivo Henrique Sei. Para isso, terá de levar a mensagem de que as vertentes WorkForce da Epson tem menor consumo de energia e são mais produtivas. “As Workforce serão o que é hoje são a EcoTank”, afirmou Fabio Neves, ao passar o bastão e a responsabilidade para o novo presidente.

Divulgação EFICIÊNCIA Impressora digital para a indústria têxtil gera economia de água com maior produtividade. Modelos podem ser testados no Solutions Center da marca. (Crédito:Divulgação)

ASSINATURA Outro movimento importante da Epson no Brasil é a abertura de um novo tipo de negócio para o setor educacional, em que a companhia nada de braçada, com 98% do mercado de projetores interativos, segundo a consultoria PMA Research. A estratégia é sair da venda direta e partir para assinaturas. Os contratos de aluguel podem chegar a 36 meses. “Com isso, os custos são minimizados e incentivamos as escolas a terem acesso à tecnologia. Temos muita expectativa nesse modelo. Já fechamos contratos sem fazer grande divulgação”, afirmou Fabio Neves, ao anunciar o projeto também com exclusividade à DINHEIRO. No share de projetores de uso geral (pequenos para negócios, educação e home cinema), a empresa abocanha 52,9%, além de 59% das vendas de projetores profissionais de alto brilho (acima de 4.500 lumens).

CULTURA Cinquenta projetores Epson estão sendo instalados no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, para a criação de ambientes imersivos. São modelos de ultracurta distância da linha PowerLite e da linha Epson PRO, com fonte de luz laser e tecnologia 3LCD. A reinauguração do espaço, reformado depois de incêndio que o destruiu em 2015, está prevista para o dia 31 de julho.

Seja na casa das pessoas, nos escritórios, nos pequenos comércios ou nas grandes indústrias, nas escolas ou nos museus, a Epson tem como propósito tornar-se uma empresa indispensável para a sociedade e para os negócios. Para isso, imprime seu novo caminho.