Um enviado do governo da Espanha visitou nesta quarta-feira (2) no Peru a refinaria da petroleira hispânica Repsol onde ocorreu um vazamento no mar de quase 12 mil barris de petróleo bruto em 15 de janeiro.

O secretário de Estado para a Ibero-América, Juan Fernández Trigo, reuniu-se com o vice-chanceler peruano, Luis Enrique Chávez, a quem ofereceu cooperação para enfrentar a emergência ambiental causada pelo derramamento, e depois visitou a refinaria, localizada em Ventanilla.

“Visitei a equipe de especialistas internacionais e pude conhecer a tecnologia avançada que estão usando no trabalho de recuperação”, tuitou o funcionário espanhol.

O vazamento, descrito como um “desastre ecológico” pelo governo peruano, aconteceu quando o navio-tanque “Mare Doricum”, de bandeira italiana, descarregava na refinaria La Pampilla. A empresa atribuiu o evento à erupção vulcânica em Tonga.

A mancha negra de óleo foi arrastada pelas correntes marítimas ao norte a até a 140 km da refinaria, segundo o Ministério Público, causando a morte de um número indeterminado de peixes, aves e mamíferos marinhos. Além disso, deixou centenas de pescadores impossibilitados de trabalhar.

“Acompanhado do diretor da Repsol no Peru (Jaime Fernández-Cuesta), percorri o litoral afetado pelo vazamento. Lamentamos as consequências para o ecossistema e nos solidarizamos com os afetados. Agora, a prioridade é avançar nos trabalhos, para recuperar a normalidade o mais rapidamente possível”, acrescentou Fernández Trigo.

O espanhol Fernández-Cuesta é um dos quatro diretores da refinaria que a Justiça peruana impediu de deixarem o país por 18 meses, enquanto as investigações avançam. Os outros três são peruanos.

A chancelaria peruana disse que o enviado “manifestou a solidariedade da Espanha com o Peru […] e ofereceu cooperação para enfrentar a crise com base em sua experiência no assunto”.

O Peru ordenou na última segunda-feira à Repsol que suspendesse o carregamento e descarregamento de hidrocarbonetos em navios no país, medida descrita pela empresa como “desproporcional e irracional”, uma vez que pode causar escassez de combustíveis no mercado interno.

Centenas de pessoas trabalham arduamente na limpeza de cerca de 20 praias na costa central do Peru após o vazamento. Entre elas, estão funcionários contratados pela Repsol, militares e voluntários.