Economia

Entenda por que o dólar opera em baixa e deve seguir caindo no Brasil

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Último movimento de alta do dólar aconteceu no início de janeiro e não parou mais de cair (Crédito: Pixabay)



O dólar comercial tem operado nos últimos dias bem longe do registrado em 13 de maio de 2020, quando bateu a casa dos R$ 5,90 e colocou os agentes do mercado em pânico. O último pico da moeda norte-americana aconteceu em 20 de dezembro, negociado aos R$ 5,74 e, desde então, opera em queda.

Nesta sexta-feira (11), o dólar abriu o dia valendo R$ 5,24 e flertou com os R$ 5,18 por boa parte da manhã e da tarde, mas fechou o dia valendo R$ 5,24 alta de 0,01% na comparação com o fechamento anterior.

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Gráfico com as cotações intraday do dólar desde dezembro
Gráfico com as cotações intraday do dólar desde dezembro (Crédito:TradingView)

Alguns itens explicam essa queda acentuada no câmbio, que não deve durar por muito tempo. Isso porque economistas consultados no último boletim Focus apostam que o dólar vai encerrar o ano em R$ 5,60.



Política de juros do Banco Central brasileiro

Um dos pontos que pesam na queda do dólar neste momento é a política de juros do Banco Central do Brasil, que na semana ajustou a Selic em 1,5 ponto percentual, elevando a taxa básica a 10,75% – um retorno aos dois dígitos após cinco anos.

Com os juros altos, investir no Brasil é um bom negócio para quem desembarca com dólares na conta. A Selic em alta atrai investimentos de baixo risco e rentabilidade garantida, como os papeis do Tesouro atrelados aos juros. Isso sem contar que boa parte das empresas brasileiras listadas na B3 estão descontadas e com os papéis desvalorizados.

“Existe uma entrada de investimentos externos com grande volume na Bolsa, onde esses investidores estão com apetite de correr mais riscos por causa da alta dos juros aqui no Brasil”, disse Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas, uma das maiores empresas de compra e venda de ouro no País.


China e commodities em alta

O especialista em Finanças, Maurício Takahashi, acredita que a entrada de dinheiro da China na compra de commodities brasileiras atua como item importante nessa desvalorização do câmbio. Produtos como soja, minério de ferro e petróleo são os alvos dos chineses.

“A China está comprando e isso significa um aumento no preço de commodities no mundo inteiro. A nossa exportação fica melhor e quanto mais a gente exporta, mais dólar vai ter que entrar na economia, puxando a cotação para baixo”, comentou Takahashi.

Os efeitos da política contra a Covid-19

Com uma política de combate à pandemia gerando mais polêmicas do que resultados, o governo brasileiro também teve seu peso na campanha de alta do dólar. Na opinião de Josilmar Cordenonssi, economista da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a forte desvalorização do Real entre as moedas do G-20 (ganhando somente do peso argentino e da lira turca, ambos papéis sofrendo com graves crises locais) ampliaram o ritmo de desgaste do papel brasileiro ante o americano.

“No começo da pandemia várias moedas dos países emergentes se desvalorizaram frente ao dólar americano, mas quando o FED expandiu a política monetária com juros a zero e uma forte expansão monetária, o dólar se desvalorizou e as moedas dos países emergentes voltaram a ter cotações próximas ao pré-pandemia já no final de 2020, contrastando com o real brasileiro”, indicou o economista.

Possíveis riscos para uma retomada de alta

O mercado agora aguarda uma política econômica mais rígida nos Estados Unidos, que terá uma atuação mais ativa do Federal Reserve (FED) para controlar a inflação – nesta quinta-feira o CPI de janeiro bateu 7,5% na base anual, maior registro feito pelo governo norte-americano desde 1982. A expectativa é de que a taxa básica de juros seja ajustada para algo entre 0,50% e 0,75% ao ano na próxima reunião do FED em março.

E enquanto as bolsas norte-americanas derreteram nesta semana – com o mercado focado no fantasma inflacionário e nos conflitos geopolíticos do leste europeu entre Rússia e Ucrânia –, a bolsa brasileira navega em ritmo contrário, com o Ibovespa fechando o pregão desta sexta-feira (11) próximo aos 114 mil pontos.

“A ordem natural seria a alta do dólar em relação ao mercado global, porém como mencionado acima, aqui no Brasil os juros estão convidativos para o investidor correr mais riscos e para ganhar mais retorno do capital investido”, apontou Cavalcante.

Além da política de juros do FED e dos conflitos por poder no mundo, pesam nessa equação de instabilidades as eleições brasileiras com maior tração em meados de junho. Para o economista do Mackenzie, a sinalização de uma política mais sensata, sobretudo com o mercado sabendo o que esperar de um possível governo Lula contra Bolsonaro, deve ajudar a desacelerar a taxa de câmbio.

“A cotação do dólar, no Brasil, estará mais ligada ao debate eleitoral na medida em que as eleições se aproximam. Se o debate sinalizar que teremos uma política econômica sensata do ponto de vista da sustentabilidade da dívida, o real ainda terá espaço para se valorizar”, indicou Cordenonssi.

Momento é de comprar ou vender dólares?

E para o investidor que se questiona se o atual período é convidativo para a compra do dólar ou ainda seria o caso de esperar mais alguns dias antes de tomar uma decisão pela compra da moeda, o sinal é positivo.

Neste momento o câmbio parece ajustado para a entrada de investidores que miram um cenário de venda no médio prazo.

“Na minha opinião seria o momento de aquisição, pois em março vai começar alta dos juros americanos, com isso a tendência é de viés de alta do dólar em relação principalmente às moedas emergentes, o Real entre elas”, completou o diretor de câmbio da Ourominas.

Com uma visão mais local, Condenonssi desaconselha os investimentos dolarizados neste momento, exatamente porque os títulos brasileiros (como o Tesouro Direto) estão com retornos acima da inflação.

“Depende de qual é o interesse de se comprar o dólar. Hoje eu reduziria a participação de ativos atrelados ao dólar na minha carteira, aumentaria a exposição em ativos brasileiros, especialmente em dívida pública de longo prazo que promete um retorno real [acima da inflação] praticamente sem igual no mundo.






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